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Cultura » Klotz, Hudson, jurados da Mostra

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Luiz Carlos Merten

24 Outubro 2008 | 18h48

Outro dia agitado, cheio de textos para redigir, mais o programa na rádio e as entrevistas da Mostra. Lamento não ter dado a dica antes, mas começa daqui a pouco no lounge, no Anexo do Espaço Unibanco, o bate-papo de Nicolas Klotz, que integra o júri e vai conversar com o público sobre seu filme ‘A Condição Humana’, vencedor do prêmio da crítica no ano passado e que eu acho que não exagero ao dizer que talvez seja o melhor filme lançado este ano nos cinemas brasileiros. Acabo de assistir a ‘Mataram a Irmã Dorothy’ e teria – tenho – um milhão de coisas a dizer sobre o filme, mas ele tem tanta informação que eu preferi deixar para falar com o diretor amanhã pela manhã. Prefiro conversar com ele antes de postar aqui duas ou três coisas que me impressionaram, mas eu já vou antecipar que uma delas foi o teatro da Justiça, para usar uma expressão cara a Raymond Depardon. Se a Justiça é mesmo um teatro, como ele diz em seus documentários, os ‘atores’ – os advogados de defesa dos acusados de matar irmã Dorothy – são todos canastrões e de um cinismo que eu acho que valeria a pena desviar o eixo e fazer um filme sobre aquelas pessoas. Acho que existe um momento em que, mais do que a discussão política e/ou ideologia, a semiologia, ciência do signo, pode ser uma ferramenta para que a gente flagre a falsidade humana. No caso de ‘Mataram a Irmã Dorothy’, pode-se chegar a resultados muito interessantes. Conversei no começo da tarde com Hugh Hudson, que também está aqui integrando o júri e que trouxe debaixo do braço a versão restaurada de ‘Revolução’, que fez nos anos 80 com Al Pacino. Hudson vinha de dois filmes bem sucedidos – ‘Carruagens de Fogo’, que ganhou o Oscar (mas não o de direção), e ‘Greystoke, a Lenda de Tarzan’, que eu amo, vendo no filme alguma coisa do ‘Garoto Selvagem’, que é meu Truffaut favorito, vocês sabem. Hudson considera ‘Revolução’ seu melhor filme e só agora, com a cumplicidade do ator Al Pacino, ele está dando a conhecer a obra que concebeu e que foi truncada pelo estúdio, cujos executivos vetaram a narração na primeira pessoa, sem a qual ‘Revolução’ se torna incompreensível. O fracasso do filme comprometeu o desenvolvimento da carreira de Hugh Hudson e agora ele se sente aliviado porque finalmente poderá ser amado ou criticado, mas será pelo SEU filme. A primeira exibição ocorre daqui a pouco e a segunda no domingo. Acho que será a mais interessante, porque seguida de debate com o diretor. Amanhã, ocorre a tradicional coletiva de apresentação do júri e o anúncio dos dez filmes que vão concorrer ao troféu Bandeira Paulista, repaginado por Tomie Ohtake. Só podem concorrer os filmes de diretores estreantes, assim considerados o que estejam no máximo no segundo título de suas carreiras. Às vezes são 11,12, em caso de empate. Estou torcendo para que ‘Feliz Natal’, de Selton Melo, seja um dos dez, para que eu possa finalmente vê-lo, nesta oportunidade que a Mostra oferece para que a gente possa (re)ver os favoritos de seu público. Estou indo ao cinema – aonde mais? Acho que só amanhã volto aqui ao blog. Até!

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