As informações e opiniões formadas neste blog são de responsabilidade única do autor.

Kléber?

Luiz Carlos Merten

30 Outubro 2012 | 11h21

Não vi tantos filmes quantos talvez quisesse na Mostra porque tinha as atividades diárias no jornal e 1001 entrevistas. Mas consegui ver os filmes que considerava imprescindíveis. Gostei muito do Bellocchio, ‘A Bela Que Dorme’, que é meu candidato para o prêmio da crítica, com o filme de Kléber Mendonça Filho, ‘O Som ao Redor’. Gostei muito do Assayas, ‘Après Mai’, sobre os herdeiros do mítico Maio de 68 e em que o autor se projeta no personagem ‘Gilles’, dividido entre a militância política e suas altas aspirações estéticas. Gilles é o próprio Assayas, que contesta o cinema quadrado da militância e, no final, está trocando a pintura pelo experimentalismo cinematográfico, ao sonhar, na tela, com a imagem da mulher que mais amou. Gostei realmente muito de ‘Après Mai’, e da trilha, mas confesso que precisei ver o filme domingo, no Cinemark Eldorado, para desfrutar, porque à meia-noite de sábado, no CineSesc, não estava dando – estava morto de cansaço, depois de ver filmes e fazer entrevistas o dia todo. Ontem, finalmente, consegui ver o Oliveira. ‘O Gebo e a Sombra’ foi minha maior decepção nesta Mostra. Adoro o mestre português, mas houve um tempo, não muito distante, em que ele parecia ter um ritmo binário. Um filme bom e outro ruim. ‘A Divina Comédia’ e ‘O Dia do Desespero’, ‘Vale Abraão’ e ‘O Caixa’, ‘Viagem ao Princípio do Mundo’ e ‘A Carta’. Colocar ‘O Gebo’ no mesmo plano de ‘Angélica’ ou de ‘Singularidades de Uma Rapariga Loira’ me parece coisa de doido. A primeira metade me pareceu o ó e Jeanne Moreau poderia ter sido privada de usar aquele figurino, o pior do ano, da Mostra e do que mais vocês quiserem. O filme melhora quando o filho pródigo entra em cena e Ricardo Trêpa tem aquele diálogo com Leonor Silveira. Vamos esperar o próximo Manoel porque, aos 105 anos, ele ainda tem bala na agulha. Há um mês ou dois, foi internado em estado grave. No jornal, por garantia, me pediram que deixasse o obituário pronto. Retruquei que o Oliveira ainda me enterra, e não porque eu esteja querendo ir. Não é o caso. Seu produtor, Luiz Urbano, que também produziu ‘Tabu’, de Miguel Gomes, me disse que Oliveira saiu do hospital, começou a preparar o próximo filme e, qual vitamina, o trabalho o revigorou. Gostaria de ver hoje à noite ‘Era Uma Vez no Oeste’, na homenagem a Claudia Cardinale, nem que fosse só o começo, na estação, para refrescar a lembrança (e falar com ela amanhã com a trilha de Ennio Morricone ainda ecoando nos meus ouvidos). Dois filmes me atraem para hoje à tarde, ambos em episódios – ‘O Mundo Invisível’, que não vi, e ‘Longe do Vietnã’, que vi em priscas eras, no Uruguai.