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Luiz Carlos Merten

15 Agosto 2011 | 00h04

PORTO ALEGRE – Olá, amigos. Cá estou em Porto, depois de um dia movimentado que começou às 6 da manhã. Depois de duas horas e pouco de estrada, cheguei por volta de 9h30. Tinha as matérias do ‘Caderno 2’ para fazer. O encerramento de Gramado, Filmes na TV. Embora tenha comentado a cerimônia – na TV Cultura – e feito algumas entrevistas no palco do Palácio dos Festivais, não havia anotado nada, como sempre, e terminei me atrapalhando com os vencedores, o que me obrigou a pesquisar. Como gosto de dar uma geral dos meus movimentos, almocei tarde e terminei pegando chuva, o que não é bom para quem acaba de sair de uma pneumonia, mas espero que não tenha desdobramentos. Fui ao cinema. Estava louco para ver ‘Super 8’, e J.J. Abrams mais uma vez não me decepcionou. Falo daqui a pouco do filme. Para dar uma geral no encerramento de Gramado, nunca tive dúvidas de que Lúcia Murat ia ganhar com ‘Uma Longa Viagem’, mesmo que o filme dela não fosse meu favorito. Em todas previsões que fiz,rádio, TV e jornal, fazia sempre a distinção entre o que gostasria que ocorresse e o que achava que ia ocorrer.  Pode até ser que um dia descubra que Flávia Castro não foi decisiva para isso, mas depois de ver o filme de Lúcia e sabendo que a diretora de ‘Diário de Uma Busca’ estava no júri, tornou-se evidente para mim que ‘Uma Longa Viagem’ teria uma defensora e tanto. As similaridades entre os dois filmes, que evocam os anos de chumbo de um ponto de vista bastante pessoal, e familiar – Flávia falando de seu pai, Lúcia, do irmão -, e ambas colocando o foco em personagens que não foram heróis, tudo isso me parecia bastante forte, e quase  inevitável. Também vou arriscar que meu querido amigo Jeferson De pode ter sido fundamental para o segundo Kikito de melhor ator que Caio Blast recebeu, após ‘Bróder’, no ano passado.  Enfim, o júri brasileiro me agradou mais que o estrangeiro. Não cxreio que a vitória de ‘Uma Longa Viagem’ seja comprometedora e meus favoritos – ‘Riscado’, de Gustavo Pizzi, e ‘As Hiper Mulheres’, de Leonardo Sette, Carlos Fausto e Karumã Kuikuro – foram bem recompensados, o primeiro com os prêmios de direção, atriz (Karine Teles) e roteiro (de Pizzi e da mulher, justamente Karine) e o segundo com o prêmio especial. Gostei bem menos do júri estrangeiro, integrado por minha amiga Lucy Virgen, do México, mas ela, antes de embarcar, pela manhã, me disse que havia sido voto vencido, o que não significa que estivesse descontente com o resultado. Gosto dos filmes que ganharam – o argentino ‘Medianeras’, de Gustavo Taretto, e o mexicano ‘A Tiro de Piedra’, de Sebastián Huriart, o primeiro, vencedor do Kikito de melhor filme e ambos os diretores contemplados, ex-aequo, com o prêmio da categoria -, mas não me conformo que meyu favorito, o chileno ‘La Lección de Pintura’, de Pablo Perelman, tenha recebido do júri oficial somente o prêmio de fotografia, por mais merecido que tenha sido.  O festival foi bom? A seleção brasileira foi inferior à latina, alguns dos melhores programas passam na Mostra Panorâmica, fora de concurso, à tarde, mas acho que os curadores José Carlos Avellar e Sérgio Sanz, de novo conseguiram atingir seu objetivo, selecionando, e exibindo, filme de recorte autoral e que dialogam entre si, o que sempre favorece o debate. Mas, realmente, o festival precisa resolver para o ano que vem – quando vai completar 40 anos! – um problema que empanou o brilho da festa deste ano. Nunca vi um festival exibir cópias de serviço, em DVD, da maioria dos concorrentes, como ocorreu com a mostra latina.  Nada atesta melhor a qualidade do filme de Hiriart que o fato ‘A Tiro de Piedra’ ter passado com aquela marca d’água horrorosa, no meio da imagem, deixando, mesmo assim, a impressão de um grande filme. É tarde. Estou apanhando neste laptop emprestado – pela Dóris, minha ex. Vou deixar o ‘Super 8’ para amanhã. Até!

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