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Luiz Carlos Merten

16 Agosto 2009 | 10h30

PORTO ALEGRE – Pela procedência, vocês já sabem que estou em Porto, onde fico hoje e amanhã, revendo a família, vendo filmes… O 37º Festival de Gramado terminou ontem à noite. Se vocês seguiram a cerimônia de premiação pela rede TVE ou pelo Canal Brasil, viram que apareceram aqueles malucos dos Homens de Perto – um grupo de humor escracho do Rio Grande -, que a toda hora invadiam o palco para dar uma de Casseta e Planeta, achincalhando (numa boa…) a própria festa. Na melhor intervenção, um dos integrantes do trio agradeceu seu Kikito de chocolate apropriando-se do discurso de agradecimento de Xuxa. Ela disse – ‘Sou loira, sou povo, sou vencedora”. Ele disse – “Sou povo, sou povinho, sou careca e sou vencedor!” O Palácio dos Festivais veio abaixo. Xuxa colheu o que havia plantado. Já escrevi que a seleção teve filmes bons, menos bons, filmes ruins (eu acho), mas no geral o objetivo dos curadores José Carlos Avellar e Sérgio Sanz foram alcançados. Eles selecionam filmes de expressão pessoal, definição que preferem a ‘cinema autoral’, e esses filmes vão se articulando. Um da competição brasileira ilumina (ou se soma…) a outro latino e repercute na mostra de curtas. Cabe ao espectador, seja cinéfilo, crítico ou ‘povo’, tirar ilações (ou fazer suas elocubrações). O festival teve uma vertente intimista (‘Corpos Celestes’ e ‘Lluvia’), outra política (‘Corumbiara’, ‘La Próxima Estación’ e ‘Em Teu Nome’), uma terceira que mesclava as duas (‘A Teta Assustada’) e sempre com acentuada preocupação pelos problemas da experimentação e da linguagem (‘Canção de Baal’, ‘Corumbiara’ e ‘Próxima Estación’). ‘Baal’, vencedor do prêmio da crítica, foi o mais radical desses filmes – e celebra não apenas a provocação e a inovação. Sua estética é política, e como! A rigor, poderia pensar que fui perdedor em Gramado. Meus favoritos, ‘Baal’ e ‘Gigante’, não receberam os Kikitos principais, mas não sou louco de contestar a vitória de ‘Corumbiara’ como melhor filme brasileiro. A de ‘Teta Assustada’ como melhor filme latino (e direção, de Claudia Llosa), sim, me pareceu excessiva. O júri pegou carona na premiação de Berlim para se legitimar. O filme peruano não é melhor, não é mesmo, do que o uruguaio. Não dividiria o prêmio de direção entre Vincent Carelli (‘Corumbiara’) e Paulo Nascimento (“Em Teu Nome’) e muito menos o de melhor ator entre o uruguaio Horacio Camandule (de ‘Gigante’) e o colombiano Matías Maldonado (de ‘Nochebuena’) – que loucura foi essa? ‘Corpos Celestes’ ganhou um mísero Kikito (e não que o prêmio de fotografia para Kátia Coelho não tenha sido merecido) e o melhor curta, ‘A Invasão do Alegrete’, de Diego Müller, teve reconhecimento aquém de suas qualidades – melhor roteiro e ator (Miguel Ramos), embora ambos, no site do festival, estejam creditados a ‘Teresa’, que levou uma enxurrada de Kikitos, mas não o de melhor atriz para Sabrina Greve, que teria sido, talvez, o mais merecido (e isso por melhor que seja Juliana Carneiro da Cunha, em ‘O Teu Sorriso’). Enfim, estou dando só um sinalzinho de vida. Tenho de enviar minhas matérias para o jornal, à tarde tenho compromisso aqui em Porto. Uma dica – leiam, no blog de minha ex, Doris Bittencourt, o post dela sobre ‘Almoço em Agosto’. Bem bacana. E a propósito, nunca consegui que vocês comentassem o filme de Gianni di Gregorio. Gostaram? Não…?