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Luiz Carlos Merten

22 Abril 2007 | 14h06

Estou começando a achar que tive um delírio e não vi o filme ao qual assisti, ontem à tarde. O filme em questão, se não me engano – apareceu o título só uma vez – , era O Jogo da Verdade, com Gwyneth Paltrow, Kathleen Turner e Whoopi Goldberg. Desde então, tenho procurado com este título na revista da NET e não acho. Entrei no Google, na filmografia da Kathleen, e não achei nada parecido. Como não tenho paciência para ficar navegando à toa, desisti. Me socorram, por favor. É a história de uma família disfuncional. Duas irmãs jovens, uma fica viúva, ambas possuem essa ex-madrasta que permanece na vida delas, apesar da tensão. É uma mulher prática, que vai assumir o controle da situação. Há ainda a vizinha negra, num casamento bi-racial. Acho que o filme faz muitas observações interessantes sobre a vida, o sexo, a morte. É raro um filme americano em que mulheres falam com tanta franqueza de sexo. Acho que deve ser uma herança do sucesso de séries como Sex and the City. Achei as atrizes todas ótimas, mas quero falar de Kathleen. Nos anos 80, ela ela foi um furacão sexual que arrasou Hollywood em filmes como Corpos Ardentes, de Lawrence Kasdan, e Crimes de Paixão, de Ken Russell. Kathleen fazia cinema popular (a série iniciada com Tudo por Uma Esmeralda) e de autor (Peggy sue, Seu Passado a Espera, de Coppola). E aí a Kathleen sumiu. Em 2004, ela foi jurada em Cannes, no ano em que o júri presidido por Quentin Tarantino premiou Fahrenheit 11 de Setembro, do Michael Moore, ignorando, entre outros competidores, o Hirokazu Kore-Eda de Ninguém Pode Saber. Caí duro quando vi a Kathleen. Parecia uma matrona. Gorda, toda disforme. Rubinho, Rubens Ewald Filho, me disse que devia ser conseqüência da medicação e me contou a história que explicava o (relativo) sumiço da atriz. Ela vinha sofrendo de artrose, ou coisa que o valha. Entrei numa daquelas minhas viagens. Que coisa! A vida não poupa ninguém. Às vezes, a gente tem umas fantasias sobre umas figuras, mas elas são humanas, gente como a gente, sujeitas às mesmas dores que nós. Como não descobri o título original do filme que vi ontem – nem ano de produção, nem diretor –, não sei se é posterior a 2004. Espero, sinceramente, que seja. Kathleen, mesmo interpretando uma personagem reprimida – uma mulher que, como ela se define, prefere imaginar o sexo ao sexo, propriamente dito –, está linda de novo. Foi como ver alguém da família saindo da crise. Não pode ser filme antigo – tomo como parâmetro a Gwyneth, que está com sua cara atual. Aguardo informações.

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