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Kaos

Luiz Carlos Merten

12 Outubro 2012 | 01h11

RIO – Ando em choque com minha caixa de e-mails. Posso limpá-la e não demora muito tenho mais de mil e-mails – atualmente 1800 -, dos quais a metade são comentários no blog. Mas que comentários? Eles entram automaticamente, todo tipo de propaganda. O que faço para me livrar dessa gente, ó céus? Estou voltando do Amarelinho, onde fui comer, após a cerimônia de premiação do Festival do Rio. Todo júri é soberano. Já fui jurado e sei disso. Não existe premiação unânime. Isso posto, nunca vi premiação mais estapafúrdia na minha vida. O júri pode escolher o que que quiser, mas pelo menos tem de ter uma coerência. Ela passou ao largo da distribuição dos prêmios Redentor nesta edição do Festival do Rio. O loteamento (de prêmios) virou farra. Ouso dizer que foi a melhor edição da Première Brasil em anos. Não vou dizer que foi a pior premiação porque meus dois favoritos – ‘A Busca’. de Luciano Moura, e ‘O Som ao Redor’, de Kleber Mendonça Filho – ganharam, respectivamente, melhor filme para o júri popular e para o oficial. Não creio que Octávio Müller tenha sido o melhor ator – por ‘O Gorila’ -, mas ele foi, para o júri, e terminou protagonizando o momento mais emocionante da noite, o único, ao se ajoelhar, à Roberto Benigni, no palco do Cine Odeon BR. Leandra Leal foi a melhor atriz, por ‘èden’, de Bruno Safadi, Alessandra Negrini foi melhor coadjuvante (por ‘O Gorila’, achei que ela seria candidata a melhor atriz) e Caco Ciocler foi melhor ator coadjuvante (por ‘Disparos’). O júri uniu todos os diretores de documentários e ficções e deu seu prêmio para Eryk Rocha, por ‘Jards’. Gosto demais do Eryk (e do filme), mas não entendo como ele possa ter ganhado o prêmio de direção por um documentário que não obteve mais nenhum reconhecimento. Kleber Mendonça, além do prêmio de melhor filme, ganhou o de melhor roteiro, por ‘O Som ao Redor’. O melhor documentário foi ‘Hélio Oiticica’, dirigido pelo sobrinho do artista, Sérgio Oiticica, e essa foi uma insanidade dos jurados. Meu amigo Rodrigo Fonseca teve o mesmo estranhamento que eu e deve estar protestando no blog dele pelo que chamou de irresponsabilidade. Manifesto minha inconformidade, mas júri de festival é a coisa mais totalitária que existe. Não existe nenhum Supremo para recorrer e, pensando bem, é melhor não recorrer mesmo (para ser julgado com base em evidências, não provas, eu hein?).  ‘César Deve Morrer’, dos irmãos Taviani, foi o filme mais visto do festival. Todas as sessões lotaram e a procura do público foi excepcional. Em segundo ficou ‘Moonrise Kingdom’, de Wes Anderson, que estreia hoje nos cinemas de São Paulo (já passou da meia-noite), e na sequência vieram ‘Great Expectations’, ‘Holy Motors’ (de Leos Carax), ‘Elefante Branco’ (Pablo Trapero), Pietà (Kim Ki-duk), ‘Nós e Eu’ (Michel Gondry), Indomável Sonhadora’ (Behn Zeitlin e na minha matéria com o cara, no ‘Caderno 2’, não contei que tem parentes em São Paulo), ‘Ruby Sparks – A Namorada Perfeita’ (Jonathan Dayton e Valerie Faris, que também estreia hoje, sexta-feira). É tarde, vou dormir. Preciso levantar cedo para fazer as matérias do dia e, no fim da manhã, volto para casa. Tenho uma semana para me recompor e… Mostra! Não posso negar que essa agitação toda me empolga e estimula.