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Luiz Carlos Merten

10 Fevereiro 2012 | 22h06

BERLIM – Soh mais um postezinho rapido. Naoh se esquecam de que estou tres horas aa frente de voces e, portanto, aqui, jah eh de madrugada. Mas naoh falei nada – nem aqui nem na materia do jornal – sobre um topico que tem sido importante na discussaoh sobre O Adeus aa Rainha, de Benoit Jacquot. Lembram-se da Maria Antonieta de Sofia Coppola, daquele principe ou oficial austriaco que ela arrastava para uma orgia no Petit Trianon? Pura fantasia. A Adeus aa Rainha estah sendo rotulado de filme gay, o que, francamente, me parece exagero, mas Maria Antonieta eh louca por Madame de Polignac, fazendo de tudo para salvar sua favorita na nova ficaoh inspirada em sua vida. Na entrevista com Diane Kruger, ela disse que o que filme mostra eh bem documentado, mas naoh acredita no lesbianismo da rainha – sua paixaoh naoh era por mulheres, em geral, era por uma, em particular. Seja como for, esse lado, digamos, de escandalo, pode ajudar na carreira comercial do filme. Naoh quero estimular nem favorecer o sensacionalismo, mas gostei do filme de Benoit Jacquot. A protagonista, Lea Seydoux, eh a leitora da rainha. Vive aa sombra, naoh eh ninguem. Quando lhe eh oferecido um papel, mesmo que seja com risco de vida, ela o assume, porque eh sua chance de servir aa rainha, a quem tambem ama. Eh um pouco Kagemusha, a sombra do samurai – aqui, a sombra da favorita. Contra a opiniaoh da maioria dos coleguinhas que aqui estaoh, gostei do filme de cara e gosto mais, a cada vez que penso. Filme gay? Nao do Jacquot, famoso por se tornar amante das belas atrizes com quem trabalha. Mas complexo, sim.