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Luiz Carlos Merten

19 Maio 2007 | 09h23

CANNES – Abri meus e-mails e recebi, com data de ontem, às 15 horas, informação de uma assessoria brasileira confirmando a presença de Julianne Moore em Blindness, que Fernando Meirelles vai realizar baseado no ensaio sobre a cegueira de José Saramago. Confesso que essas coisas me aborrecem. Fernando é um grande cara e um diretor a quem admiro, mas seus segredinhos me cansam. Ele virou tão internacional que, ultimamente, a gente só sabe de seus filmes e planos no exterior. A assessoria brasileira não precisava ter-se dado ao trabalho de me mandar o e-mail. A própria Julianne havia anunciado isso aqui em Cannes, horas antes. Julianne está no festival por conta de Savage Grace, de Tom Kalin, na Quinzena dos Realizadores. Kalin fez aquele filme, Soon, baseado no mesmo caso que inspirou Festim Diabólico (The Rope), de Alfred Hitchcock – o dos estudantes que mataram só para provar, para eles mesmos, que poderiam cometer o crime perfeito. Kalin investiga a compulsão ao crime, mas nãso no estilo Hannibal Lecter. Seus criminosos são civilizados, o que os torna mais assustadores. Não moram em porões nem quartos infectos. Vivem na luz – de onde vem a sombra, então? Savage Grace conta a história de outro crimninoso, mas o espectador só descobre isso no final. Começa como a história de Tony, um bebê lindo, criado para ser um sujeito gentil, mas que sofre todo tipo de abuso da própria mãe. Kalin fez um filme que atravessa décadas. Foi feito com um mínimo de dinheiro, mas tanta classe – e é tão chique nos detalhes -, que você não nota. Havia um silêncio de morte na sala do Noga Hilton, onde ocorreu a sessão. O que se via na tela era barra-pesada. Cenas de sexo homo, de mãe e filho com o mesmo amante na cama, de mãe que faz sexo com o filho (e quando ele não vem, o masturba). E é uma história real! Fernando, parabéns. Você acaba de contratar uma das melhores, senão a melhor atriz do mundo. Julianne Moore é fantástica, mas isso todo mundo já sabe, não?