Estadão - Portal do Estado de S. Paulo

Cultura

Cultura » John Frankenheimer (1)

Cultura

Luiz Carlos Merten

03 Abril 2009 | 15h30

Celdani troca as bolas em seu comentário no post sobre Pierre-Granier Deferre e confunde ‘O Trem’, do diretor francês’, com o de John Frankenheimer, que também se passa na França, e durante a 2ª Guerra, é verdade. Vou pegar a deixa para falar sobre Frankenheimer (mais uma vez) e, mais tarde, sobre os filmes de trem (que Celdani adora, e eu também). ‘O Trem’ é um Frankenheimer de 1964 e, na obra do dirertor, se situa entre ‘Sete Dias em Maio’, um thriller político adaptado do livro de Fletcher Knebel e Charles W. Bailey, e ‘O Segundo Rosto’, outro thriller, este num recorte mais fantástico – não que ‘Seven Days on May’ não o seja –, escrito por Lewis John Carlino. Já devo ter falado para vocês, mas John Frankenheimer foi um daqueles diretores cuja decadência segui com a maior dó. Formado na televisão, ele pertence à leva que a telinha forneceu a Hollywood, na segunda metade dos anos 50. Arthur Penn, Delbert Mann, Sidney Lumet foram seus companheiros de geração. Frankenheimer era um dos mais prestigiados do grupo. Na TV, entre 1953 e 59, dirigiu uma peça de uma hora e meia por mês, incluindo uma versão de ‘A Outra Volta do Parafuso’, de Henry James – é ‘A Outra’ ou só ‘A Volta do Parafuso’? Me deu um branco -, com Ingrid Bergman no papel que seria imortalizado por Deborah Keerr no culttuado, e ótimo, ‘Os Inocentes’, de Jack Clayton. Frankenheimer ganhou duas vezes o Oscar da TV, em 1957 e 59. Acho que ganhou outro, nos 90, por sua versão da história de Chico Mendes, ‘Burning Season’, mas não tenho certeza. Também não estou muito seguro de que a prova de brasilidade de Frankenheimer fosse consistente. O telefilme reduz a dimensão política de Mendes e o transforma num líder romântico, bem Hollywood. Vou fazer uma pausa. O post está ficando longo, mas quero continuar esta conversa sobre Frankenheimer, mesmo que talvez seja um monólogo (meu comigo).