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Luiz Carlos Merten

06 Abril 2010 | 12h40

Morreu ontem John Forsythe, aos 92 nos. Descobri isso agora ao fazer uma pesquisa para os filmes na TV. Ontem, passei o dia meio fora do ar, na tentativa de voltar para São Paulo. E as condições climáticas no Rio pioraram muito, pelo que vi há pouco na TV. mais de 50 mortos, uma verdadeira calamidade, e o número ainda deve subir. O horror, o horror. Na rede, o grande destaque no obituário de John Forsythe foram suas participações na televisão – ele forneceu a voz ao Charlie da série ‘As Panteras’, com Farrah Fawcett, e também integrou, de corpo presente, o elenco de outro seriado cult, ‘Dinastia’. Eu vou me lembrar dele para sempre como o marido de Jean Simmons em ‘Tempo para Amar, Tempo para Esquecer’ (Happy Ending), de Richard Brooks. A própria Jean morreu no começo deste ano. No desfecho do belo filme de seu ex-marido, ela está separada de Forsythe e ele aparece, tentando uma reconciliação. Não me lembro exatamente a frase, mas Jean pergunta alguma coisa do tipo – se fossem jovens, novamente, ele gostaria de passar o resto da vida ao lado dela? John Forsythe era aquilo que se chamava de ator opaco. Era bom, sem gozação, para papeis de burocrata. Vestindo um terno cinzento, ele quase desaparecia em cena. Não possuía carisma, nunca virou astro, mas teve seus momentos no cinema. Atuou em dois filmes de Hitchcock, ‘O Terceiro Tiro’ e ‘Topázio’. Claro que o filme de Richard Brooks era fundamentalmente um presente do autor para as mulheres – Jean e Shirley Jones, a quem já dirigira (ambas) em ‘Entre Deus e o Pecado’ (Elmer Gentry), pelo qual a segunda ganhou seu Oscar de coadjuvante. Mas Forsythe e Lloyd Bridges, o pai de Beau e Jeff, são imprescindíveis naquele impossível ‘final feliz’, exceto o de uma mulher que se pacifica consigo mesma, tomando consciência de que a instituição ‘casamento’ não garante a felicidade de ninguém. No fim da vida, lutando contra o câncer, Forsythe se dedicara à causa ambientalista. Nunca se pode idealizar a respeito de ninguém. De perto, vocês sabem… Eu gostava de John Forsythe. Ele me passava a ideia de alguém íntegro.