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Luiz Carlos Merten

14 Março 2008 | 11h34

Já que terminei o post anterior falando sobre atores, vou voltar ao João Miguel. Este é outro que admiro muito. Bom, muito bom ator, é de uma simplicidade verdadeiramente notável. Conversei com o João, num intervalo da filmagem de ‘Bonitinha, mas Ordinária’ e achei muito legal que ele, um ator tão ligado ao cinema autoral, de ‘invenção’, esteja agora trabalhando com um produtor (Diler Trindade) que é, para todos os efeitos, a representação do cinema ‘industrial’ no País. Sei que tem gente que tem preconceito com o Diler, mas uma coisa ele é – profissionalíssimo. E o Diler está diversificando. ‘Juízo’, de Maria Augusta Ramos, que ele produziu e estréia hoje, é muito-muito bom. (Vejam e depois me digam, como escrevi no ‘Caderno 2’, se exagerei ao afirmar que a juíza Luciana Fiala, se não existisse, teria de ser inventada.) Mas, enfim, João Miguel está adorando a experiência (e pensando em voltar ao palco com sua peça sobre Bispo do Brasil). Quis saber o que andava fazendo, e ele me disse que fez o novo filme de José Eduardo Belmonte, pós-‘Meu Mundo em Perigo’ (é isso, não?), que concorreu em Brasília, no ano passado. Não gostei do primeiro longa do Belmonte, ‘A Concepção’, e gostei menos ainda da defesa que ele fez da própria obra nos festivais de Brasília e Tiradentes. Me pareceu arrogante, uma coisa de cinema de invenção, quem não gosta é porque não entendeu, está emperrado no ramerrão do cinema comercial. Detesto quando diretor diz isso. Diretor faz o filme e põe o que quer, como quer, mas quem entende somos nós, o público. Muitas vezes o que está na cabeça deles (os diretores) não está necessariamente no filme, por problemas de técnica, linguagem (mas esta é outra história). E se o filme fosse para entender de um jeito, vinha com bula. Da mesma forma, tem muito filme acadêmico, convencional, que usa esta linguagem, assumidamente, para dizer coisas importantes (e aí são os da invenção que não se preocupam em entender). Isto posto, adorei ver o João falar com todo entusiasmo do método de Belmonte. Ele é um ator do ‘método’, não o do Actor’s Studio, mas do método brasileiro, essa forma que alguns diretores tem de criar os filmes com os atores, na base da experimentação. Belmonte é do time, Beto Brant também (e, para mim, ‘Cão sem Dono’ dá de dez em ‘Crime Delicado’). De volta ao Belmonte, estou louco para ver ‘Meu Mundo em Perigo’. Zanin, meu colega Luiz Zanin Oricchio, que já gostava de ‘A Concepção’, diz que o novo filme é melhor. Tomara! O do Carlos Reichenbach, ‘Falsa Loira’, que também concorreu em Brasília, em 2007, eu sei que vai abrir o Festival de Melhores do CineSesc, no começo de abril. E o do Belmonte? Espero que não demore dois anos para estrear, como ‘Serras da Desordem’, de Andrea Tonacci, que venceu em Gramado, em 2006, e só agora vai entrar em cartaz.