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Luiz Carlos Merten

08 Maio 2008 | 15h17

Permitam-me falar mais um pouco sobre ‘Um Homem Difícil de Matar’, agora sobre a atriz Joan Hackett, que eu adorava. Não sei exatamente quando, mas Joan morreu de câncer, de um tumor no cérebro. Era uma atriz na linha de Lee Remick, que Elia Kazan definiu como a mulher mais terna que ele conhreceu no mundo do cinema – e por isso dirigiu aquelas cenas dela com o Motgomery Clift em ‘Rio Violento’, depois de anos de análise (e do casamento com Barbara Loden…) que pacificaram sua interioridade atormentada, após o episódio da delação durante o macarthismo. Ainda como conseqüência desse movimento, Kazan explicou a Michel Ciment, no livro copm a entrevista que lhe comncedeu, que fez ‘Clamor do Sexo’. O roteirista (vencedor do Oscar) William Inge e ele se haviam analisado e resolveram fazer aquiele filme sobre como devemos perdoar a nossos pais para seguir em frente. De volta a Joan Hackett, acho as cenas dela com Charlton Heston algumas das mais belas, pelo intimismo, apresentadas no western. Aquele caubói é um bronco, não sabe como lidar com uma mulher. Ela necessita da proteção dele e quer algo mais, mas teme arriscar, se abrir. Há ali uma tristeza que sempre me comoveu e ainda por cima aquela paisagem gelada, aquele ‘inverno da nossa desesperança’ (duvido que o diretor Tom Gries não tenha pensado nisso). Joan Hackett morreu no começo dos 80, uns 15 anos depois de haver feito ‘E o Bravo Ficou Só’. Sua estréia no cinema – ela vinha do teatro – foi em ‘O Grupo’, que Disney Lumet adaptou do romance de Mary McCarthy e é um filme que eu gostaria de rever, um pouco pelo elenco de grandes mulheres (candice Bergen, Elizabeth Hartman – que se suicidou -, Shirley Knight Barbara Walter, mas acho que Joan era a melhor de todas) e também pela dimensão política, que Lumet ressaltou, numa época – 1966/67 – em que o mundo mudava rapidamente. Joan ainda fez mais um filme legal, que lhe deu o Globo de Ouro – como é mesmo que se chamava em português ‘Only When I Laugh’, adaptado de Neil Simon, com Marsha Mason – na época em que era casada com o autor -, James Coco e não me lembro quem mais. Joan era, de novo, a melhor, como a bonitona de Manhattan que começava a sentir o peso dos anos. É impressionante como o cinema – mas na vida também é assim – existem figuras com um potencial imenso, mas que, por isso ou aquiolo, não conseguem concretizá-lo. Os franceses têm uma expressão para isso – dizem que fulano ou fulana tem ‘la mauvaise étoile’, a má estrela a iluminar seu caminho. Não podia deixar de acrescentar este post sobre ‘E o Bravo Ficou Só’. Joan Hackett… É verdade que ainda estou sensibilizado pela morte do meu amigo Tuio Becker – e ontem recebi um e-mail com o belo texto que Maristela Bairros, jornalista de Porto Alegre, escreveu sobre ele. Só espero que não seja o único a me lembrar de Joan.