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Cultura » Jim Carrey, o Sr. Corcovado?

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Luiz Carlos Merten

27 Junho 2011 | 20h26

RIO – Foi loucura, admito. Já não estava me sentindo muito bem, mas viajei ao Rio para s coletiva de Jim Carrey, que veio lançar ‘Os Pinguins do Papai’. O tapete vermelho do filme de Mark Waters é amanhã à noite. Carrey admitiu que realizou um sonho de infância. Ele está no Brasil desde sábadso à noite. Ontem, foi ao Cristo Redentor. Quando estava na Elementary School, ele fez um trabalho escolar sobre o Rio, reconstruindo a geografdia de morros da cidade por meio de maquete. Ele disse que foi emocionante subir ao Corcovado e descortinar, lá de cima, toda aquela beleza. Jim Carrey falou de comédia – não tem preferência entre comédia e drama, mas disse que fazer rir é uma arte muito mais difícil do que parece. O livro em que se baseia ‘Os Pinguins do Papai’ – de Robert e Florence Atwater – acaba der ser lançado no Brasil. Ele disse que o projeto lhe chegou primeiro como roteiro, mas foi ao livro e tentou preservar seu ‘espírito’. Mesmo sem crédito, ele participa ativamente dos roteiros – justamente por reconhecer quanto é difícil fazer uma boa comédia. Há controvérsia que ‘Os Pinguins’ seja bom. Muitos coleguinhas acharam constrangedor. Não cheguei a tanto. Do alto de sua experiência trabalhando com animais – os dois filmes da série ‘Ace Ventura’, a Arca de Noé -, Carrey revelou que os pinguins colocaram problemas bem específicosx. Embora o filme os individualize, os pinguins agem e funcionam no coletivo, como grupo. E são surpreendentes, impredictables. Forçam à improvisaçãso, a toda hora. Carrey falou de Angela Lansbury – eu perguntei. Disse que é um grande lady, que tudo viu e mantém o pique. Apesar dos 80 anos (0u mais), às 5 da manhã, quasdo necessário, esatava toda animada no set. A ideia mais interessante do filme veio do diretor. Mark Waters teve a ideia de fazer com que os pinguins só se acalmassem vendo os filmes de Charles Chaplin na TV. O movimento de Carlitos, nas comédias mudas, tem muito a ver com os pinguins. Carrey falou coisas muito bonitas sobre Chaplin. Propôs uma interpretação que nunca ouvi e que pode nem ter procedência, mas é bem interessante. Durante a depressão econômica, o povo humilde não tinha dinheiro para comprar sapatos. Msal tinha para comer. Os sapatos eram remendados. Não eram confortáveis. Dificultavam o andar das pessoas, e Chaplin se aproveitou disso. O único senão é que a depressão começa com o crack da Bolsa de 1929 e, quando isso ocorreu,  o personagem – e seus sapatos furados – já estavam formatados há mais de uma década. Agora sou eu que tenho de admitir. Tenho um fraco por Jim Carrey. Gosto mais dele como ator dramático e até hoje me desconcerta que a academia de merda não lhe tenha dado o Oscar por ‘O Mundo de Andy’ – nem sei quem ganhou naquele ano. Para fechar o post sobre Carrey, ele falou na ‘descoberta’ de ser avô. O neto foi presente da filha. Ser avô é recomeçar, definiu. Confesso que é uma experiência que me fascina. Morro de vontade de ser avô. Espero sobreviver  à pneumonia e chegar lá.