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Cultura » Jennifer era fogo!

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Luiz Carlos Merten

17 Dezembro 2009 | 20h16

Estou de luto – morreu Jennifer Jones. A viúva do lendário produtor David Selznick, de ‘…E o Vento Levou’, morreu na sua casa na praia de Malibu. Tinha 90 anos. Tenho para mim, é uma dfas minhas fantasias, que Selznick passoui pela vida se penitenciando por não ter conhecido Jennifer antes, a tempo de fazer dela a sua Scarlett O’Hara. Ninguém faria o papel melhor do que Vivien Leigh, mas Jennifer tinha o temperamento e Selznick lhe ofereceu diversos papeis de mulheres volçuntariosas. Mas seu Oscar, ela o recebeu em 1943 pelo papel da virtuosa garota francesa que teve a visão da Virgem em ‘A Canção de Bernadette’, de Henry King. Jennifer foi casada com Selnick de 1948 a 65, ou 66, e esta foi a fase mais gloriosa de sua carreira. Quandfo não produzia seus filmes, o megaprodutor influenciava seus colergas de outros estúdios. Na Metro e na Fox, Jennifer estrelou ‘Madame Bovary’, de Minnelli – e a cena do baile é magnífica -; ‘O Retrato de Jennie’, obra-prima fantástica de William Dieterle; e ‘O Suplício de Uma Saudade’ e ‘Suave É a Noite’, os dois dirigidos, de novo, por Henry King (e o último foi adaptado do romance de Scott Fitzgerald). Mas foi outro ‘rei’ que lhe deu seus mais belos papeis. Amo Jennifer Jones e ela faz parte do meu imaginário pelo western ‘Um Lugar ao Sol’ e pelo suntuoso melodrama ‘Fúria do Desejo’ (Ruby Gentry), dois clássicos de King Vidor (embora no primeiro outros diretores tenham se revezado no comando). O duelo final dos amantes Jennifer e Gregory Peck, quando eles se matam e se arrastam para um último abraço antes de morrer, só tem equivalente no desfecho no pântano, em ‘Ruby Gentry’, quando Jennifer de novo parte para o pau com o ex-amante que a rejeitou, casando-se com outra por interesse (Charlton Heston). Um dos mais belos planos do cinema é aquele que mostra a silhueta de Jennifer, como Ruby, esculpida na porta, com a trilha de Heinz Roemheld de fundo (e eu até hoje me pergunto se é mesmo Ray Charles quem canta o tema de Ruby, ou se trata de uma licença poética minha). Curiosamente, ‘Duelo ao Sol’ e ‘Fúria do Desejo’ são filmes que fizeram a cabeça dos surrealistas, com suas histórias radicais de ‘amor louco’. Poucos filmes da época, os anos 1940 e 50, tinham aquela carga de erotismo. Jennifer pode ter sido celebrada como santinha, mas era fogo.

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