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Luiz Carlos Merten

28 Maio 2012 | 18h04

PARIS – Aqui estou, somente hoje. Amanhah de  manhah voo para Londres e aa tarde assisto a Promtheus, para fazer na quarta as entrevistas programadas – com Ridley Scott, Michael Fasabender, Charlize Theron, Naomi Rapasce. Estou nos cascos, como se diz, mas Paris tambem tem seus atrativos e, de todos, eu escolhi o que muita gente consideraria o mais improvavel. Durante tanto tempo clamei para que Vagas Estrrelas da Ursa, do meu amado Visconti, fosse lancado em DVD no Brasil. Melhor que isso foi ver o filme nos cinemas, como fiz hoje. Vagas Estrelas, com o titulo de Sandra – a personagem de Claudia Cardinale -, foi relancado nos cinemas em copia nova, zero bala. Foi indiscritivel minha emocaoh, porque alem do filme, com sua grandeza, havia minha lembranca. Fiquei andando feito um zumbi, com aquela tri9lha do Cesar Frank nos meus ouvidos. E o vento! Meu Deus, o vento no jardim em que vai ser inaugurada a estatua que homenageia o pai de Sandra. Electra, Claudia Cardinasle no que talvez seja su maior papel, e Agamenon, e Clitemnestra, a poderosa Marie Bell. E Roberto Carlos na trilha… Hah muita coisa [para ver em Paris. Sempre hah, mas imagino que Antonio Goncalves Filho gostasria de se mudar para a Filmoteca do Quarteier Latin, que abriga uma integral de Pier-Paolo Pasolini. Uccellacci e Uccellini, Carnet de Notes pour Une Orestiader Africaine, Enquete Sur la Sexualiteh. E claro – Accatone, Mamma Roma, Edipo Rei, Teorema, Saloh. a trilogia da vida. Tudo isso eh muito bacana, mas confesso que, no Pariscope, o que mais me interessou foi a noticia do lancamento de um livro. Via-a somente agora, quase 11 da noite na Franca. Vou ter de deixar para comprar o livro no aeroporto, ou na volta de Londres. Jean Valere – quantos de voces sabem da existencia desse cara? Em plena nouvelle vague, Valere foi o que se pode chamar de corpo estranho. Assistente de Max Ophuls, Andre Cayatte e Marcel Carneh, pertencia  aaquilo que Francois Truffaut chamava, pejorativamente, de cinema de qualiteh. Mas eu nunca me esqueci de La Sentence, que Valere fez com Robert Hossein, Roger Hanin e Marina Vlady. Valere lancou um livro de memorias, O Filme de Minha Vida, Le Film de Ma Vie. Conta tudo sobre os diretores com quem trabalhou, os astros da velha guarda francesa, os filmes que realizou. E o prefacio eh de Umb erto Eco, o que naoh representa pouca coisa. Simultaneamente com esse lancamento, vi que Le Desperado apresenta um festival dedicado ao cinema frances dos anos 1940. Vou tentar ver na volta de Londres, antes de regressar ao Brasil (no sabado). Battement de Coeur, de Henri Decoin, com Daniele Darrieux e Claude Dauphin. Henri quem? Nunca revi, mas por volta de 1960, ele fez um filme chamado La Chatte, com Francoise Arnoul. Era muito jovem, 14/15 anos. Impressionei-me com Francoise. O filme era bom? Naoh sei, mas hah um movimento, na Franca, para recuperar Decoin e seu cinema. A nouvelle vague foi-se e os diretores que Godard, Truffaut & cia. desautorizavam estaoh voltando. Nada como o tempo, para recolocar as coisas em perspectiva.