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Luiz Carlos Merten

12 Junho 2008 | 15h38

Tive dentista agora de manhã, o que trumultou bastante minha vida. Fiquei quase uma hora na cadeira, mais a ida e a vinda, o que me tomou três horas (ou quase). Cheguei no jormnal com ‘trocentas’ matérias para redigir – ‘Fim dos Tempos’, ‘O Incrível Hulk’, ‘A Outra’, filmes na TV. Foi um sufoco. Por isso, só agora vou acrescentar o post que vocês talvez já saibam. Morreu Jean Dessaily, aos 87 anos, em Paris. Jean quem? Jean Desailly veio do teatro francês, onde integrou a companhia de Jean-Louis Barrault. No cinema, ele se tornou conhecido principalmente como o marido adúltero de ‘Um Só Pecado’ (La Peau Douce), de François Truffaut, que tem um caso com a aeromoça Françoise Dorléac e é perseguido pela mulher, que o caça armada de fuzil. Lembram-se do filme de 1964? Na época, Truffaut parecia abandonar sua vertente mais intimista, à francesa (‘Os Incompreendidos’, ‘Atirem no Pianista’, ‘Jules e Jim’) para ingressar no universo ‘hitchcockiano’ de ‘Fahrenheit 451’ e ‘A Noiva Estava de Preto’. O mais curioso é que Dessaily não era um ator da nouvelle vague e, pelo contrário, nos anos 50 havia filmado bastante com aqueles diretores ‘de qualidade’ (Jean Delannoy, Claude Autant-Lara) que Truffaut tanto detestava, como crítico. É possível que Truffaut tenha recorrido a ele justamente por isso, pelo seu lado ‘bom burguês’, uma coisa meio anódina, sem muita personalidade, que marcava sua presença na tela (e por isso ele era tão bom em papéis ‘opacos’). Confesso que gosto mais de Jean Dessaily nos filmes de Jean-Pierre Melville, o chamado ‘mais norte-americano dos grandes autores franceses’, mestre do gênero policial e precursor da nouvelle vague. Com Melville, Deissaily fez ‘Técnica de Um Delator’ e ‘Expresso para Bordeaux’. Seja como for, fez bons filmes (muitos bons filmes), o cara.