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Jason Statham, transportador

Luiz Carlos Merten

10 Dezembro 2008 | 13h38

Confesso que não vou nem tentar me defender e não precisaria, porque vocês, melhor do que ninguém, conhecem minhas idiossincrasias. Acabo de ver ‘Carga Explosiva 3’, terceiro filme da série com Jason Sthatham. Luc Besson produz e co-assina o roteiro, Olivier Megaton dirige. Já imagino meus coleguinhas virando-se de lado para que o vômito não respingue nas próprias roupas. Bad movie, sem sombra de dúvida, mas diverti-me bastante. Com todo respeito por Bourne e 007, por Matt Damon e Daniel Craig, Jason Sthatham é meu herói de ação favorito na atualidade. O cara tem aquele rosto de linhas duras, queixo quadrado, mas não é nenhum brucutu. Tem o físico modelado, mas sem exagero, e é – coisa rara entre heróis de ação hollywoodianos; James Bond é a exceção que confirma a regra – um ‘ladies’ man’. Em geral, o herói de ação é macho pra cacete, mas assexuado – Arnold Schwarzenegger, Sylvester Stallone não fazem nem idéia de qual caminho tomar para chega aos ‘finalmentes’ do sexo. Me lembro daquele filme do Stallone com Sharon Stone em que eles tinham uma cena supostamente caliente e a coisa era tão ‘coreografada’ que os dois não se tocavam nunca. Pareciam dois robôs fazendo sexo, coisa mais horrorosa. Nem me passa pela cabeça defender Luc Besson como ‘autor’, mas não posso deixar de sentir certo respeito, senão admiração, pelo cara. Ele optou lutar com as armas de Hollywood, fazendo cinemão. Faz bem – as cenas de ação de ‘Carga Explosiva 3’, dirigidas pelo especialista asiático Cory Yuen, não são apenas boas. São ótimas. E Besson sempre introduz o toque europeu. Mesmo não gostando de ‘O Quinto Elemento’, a primeira coisa de que me lembro, quando penso na ficção científica do ator e diretor francês, é na diva alienígena. Uma ópera já é coisa sofisticada no cinema de ação – Marc Foster mordeu a isca em ‘Quantum of Solace’, mas uma diva alienígena só mesmo em filme francês de Besson. Logo no começo de ‘Carga Explosiva 3’, Jason Statham e François Berléand, um ator de que gosto bastante, estão pescando e surge uma discussão sobre quem é mais engraçado. Berléand, como bom francês, defende Jerry Lewis – que ‘Cahiers’ considera gênio, e Jerry é -, mas Jason prefere Dean Martin. Sua argumentação é irresistível. É fácil fazer rir bancando o palhaço, mas com um cigarro no queixo e um copo de uísque na mão, como Dino fazia, garante Jason, é mais complicado. Mais adiante, há outra piada sobre a falta de humor dos russos e François Berléand cita ninguém menos do que Dostoievski – só dor e sofrimento. Se fosse num filme de Woody Allen, as pessoas iam amar, mas Allen não faz esse tipo de piada porque ele toma Dostoievski demasiado a sério e, no fundo, gostaria de ser como ele (o que conseguiu num grande filme como ‘Crimes e Pecados’, o seu ‘Crime e Castigo’). A melhor cena de ‘Carga Explosiva 3′ é tipicamente bessoniana’ – uma luta numa oficina de carros, na qual o herói derruba uma gangue inteira e o faz despindo-se, no que não deixa de ser um strip-tease para mexer com a adrenalina da ‘mocinha’, que não é anjo (a ucraniana, mais uma, Natalya Rudakova). Dito isso, espero que vocês não vão com muita sede ao poste. Não estou dizendo que ‘Carga Explosiva 3’ é um p… filme de ação, só que me diverti com aquela loucurada toda, que inclui o supercarro do herói. Já que Jason faz um ‘entregador’, a máquina que ele usa para suas entregas tem de ser a mais potente. Já vimos o cavalo do Zorro de Antonio Banderas saltando sobre um trem um movimento, mas um carro como o de Jason Statham… Ah, sim, Robert Knepper é um vilão duro na queda, mas isso já sabíamos desde ‘Hitman – Assassino 47’.