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Luiz Carlos Merten

03 Dezembro 2009 | 14h27

Volto rapidinho a ‘Cinéaste’. Numa carta do Festival de Cannes deste ano – ‘Comuniqué’ -, Richard Porton esculhamba a seleção de Thierry Fremaux e o júri presidido por Isabelle Huppert. Ele não gostou da maioria dos filmes e se interroga sobre o que faziam Ken Loach (‘À Procura de Eric’) e Pedro Almodóvar (‘Abraços Partidos’) na Croisette? Ao contrário dele, gostei muito do Almodóvar e ‘Los Abrazos Rotos’, um filmaço, estreia amanhã, o que vai me pernmitir retomar o assunto, com a participação de vocês (espero). O tal Porton cai matando em Lars Von Trier, dizendo que a provocação de ‘Anticristo’ caiu no vazio (não concordo), mas numa coisa fecho com ele. O crítico de ‘Cinéaste’ amou ‘Vincere’ e considera um absurdo que nem Marco Bellocchio sem sua magnífica atriz, Giovanna Mezziogiorno, tenham sido lembrados por Mlle. Huppert. Volto também a ‘Empire’. A revista entrevista – deu cacofonia – James Ellroy, a quem define como o maior escritor vivo de ficção criminal (assino embaixo). Ellroy solta o verbo, ou dispara uma metralhadora. Sobre ‘Los Angeles – Cidade Proibida’, de Curtis Hanson (que amo), diz que Guy Pearce é o melhor ator de sua geração. Considerando-se como ele dá um baile em Russell Crowe e James Spacey naquele filme, não é difícil concordar. Mas Ellroy também diz que Johnny Depp é inerentemente ’emasculado’ (un-masculine), acrescentando que nunca conseguiu acreditar nele. O que pensam os leitores? Ellroy se diz obcecado por crimes. Me lembro de outras entrevistas dele, dizendo exatamente onde e quando começou essa obsessão – sua mãe foi assassinada em 1958. Mas se você pensa que Ellroy ficou traumatizado por isso… Bem, talvez tenha – sabem como é, o ‘tal’ complexo de Édipo -, mas a verdade é que ele também já disse que o que sentiu foi alívio, pois odiava a mãe, no dia em que morreu. James Ellroy explorou o lado sórdido dos EUA em ‘Tabloide Americano’. Sem querer julgar o cara – quem sou eu? -, ele pode perfeitamente fazer parte dessa sordidez. Ellroy conta a ‘Empire’ que era garoto quando seu pai chegou, todo alegre, contando – ‘Hey, kid. Eu comi Rita Hayworth.’ Na época, ela era top star em Hollywood. Fuck you, dad, you didn’t fuck Rita. Anos mais tarde, Ellroy descobriu que o pai foi manager de Rita Hayworth – e também segurança -, tendo arranjado seu casamento com Ali Khan em 1949. Ellroy descobriu mais – que seu pai havia sido o maior garanhão em Hollywood. Gostaria de ter se desculpado com ele. Para arrematar, diz que a versão longa de ‘A Dália Negra’, por Brian De Palma, é uma obra-prima. A longa – não aquela que passou aqui.