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Italianos, boa gente

Luiz Carlos Merten

31 Maio 2007 | 12h06

De volta a São Paulo. Cheguei em casa e já me esperavam os DVDs de A Árvore dos Tamancos, de Ermanno Olmi, e A Garota com A Valisa, de Valerio Zurlini. Já falei tanto sobre esses dois filmes e diretores que nem preciso acrescentar mais nada. Mas acrescento – Olmi tem sido figura freqüente em Cannes, nos últimos anos. Seus filmes mais antigos têm sido restaurados. Il Posto, que François Truffaut adorava, passou em Cannes Classics, agora não me lembro se no ano passado ou em 2005. É lindo. Um sujeito tímido que conquista um emprego (o posto do título original). Não parece muito, mas a grande arte de Ermanno Olmi consiste justamente em contar com rigor, e economia de meios, o que ocorre às pequenas vidas. seu cinema tem parentesco com o de Robert Bresson. E ambos são católicos. Olmi chegou a abrir uma exceção em sua filmografia, toda voltada aos pequenos dramas de pessoas comuns, para investigar, em … E Vene Un Uomo, a extraordinária personalidade do papa João XXIII e da verdadeira revolução que ele desencadeou no Vaticano, nos anos 60. Olmi voltou a Cannes este ano. Integrou, com Martin Scorsese e Walter Salles, a mesa de lançamento do programa World Cinema Foundation, que pretende recuperar obras-primas negligenciadas do cinema de todo o mundo. Entrou mudo e saiu calado daquela cerimônia. Não é homem de muitas palavras. Seus filmes têm a cara dele. Tenho muita coisa para fazer hoje e amanhã, na volta a São Paulo, mas no fim de semana quero fazer um programa duplo. Olmi e Zurlini. A crônica das famílias de arrendatários numa fazenda lombarda, no fim do século 19, e o envolvimento de um jovem com a garota cuja mala é o símbolo do seu deslocamento no mundo. A Árvore dos Tamancos ganhou a Palma de Ouro, no ano seguinte de outra Palma para o cinema italiano – a de Pai Patrão, dos irmãos Taviani, em 1977. Rossellini era o presidente do júri. Foi muito criticado por o filme era uma produção da RAI e ele vinha sendo produzido pela TV estatal italiana. Houve gente que levantou suspeita. Disse que Rossellini estava querendo agradar a seus empregadores. As bobagens que se dizem. Pai Patrão, A Árvore dos Tamancos evocam o grande cinema italiano – como A Garota com a Valise, também.