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Luiz Carlos Merten

12 Setembro 2006 | 17h26

Se o Festival dio Rio vai homenagear Visconti, a Mostra Internacional de Cinema, em São Paulo, em outubro, vai resgatar o cinema político italiano dos anos 60 e 70. Numa lista de 15 títulos, estão confirmados filmes como Só Resta Esquecer, de Damiano Damiani; Em Nome do Povo Italiano, de Dino Risi; Investigação Sobre Um Cidadão Acima de Qualquer Suspeita, de Elio Petri, A China Está Próxima, de Marco Bellocchio; Le Mani Sulla Città, de Francesco Rosi; O Brinquedo Proibido, de Giuliano Montaldo; Lettera a Un Giornale di Sera, de Francesco Maselli; e Banditi a Orgosolo, de Vittorio De Seta. Será apaixonante rever todos estes filmes (e os outros)e avaliar se tinham razão os críticos que, na época, definiam seus autores como reformistas. A maioria deles segue formas narrativas tradicionais (do thriller ou do cine inchiesta) e, por isso, não seriam revolucionários. Mesmo que não sejam revolucionários, muitos deles são grandes. E o último é particularmente atraente. Conta a história de um pastor a quem a miséria e as circunstâncias transformam em bandido. De Seta, aos 83 anos, mostrou no recente Festival de Veneza, seu filme mais recente, o documentário Lettere del Sahara, exibido no quadro da homenagem que recebeu no evento justamente por sua contribuição à arte e à política do cinema.