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Luiz Carlos Merten

12 Setembro 2006 | 17h11

Ilda Santiago, do Festival do Rio, ainda tenta conseguir a participação de Charlotte Rampling para a homenagem que presta a Luchino Visconti no festival que começa na quinta que vem, dia 21. Comemoram-se este ano duas datas redondas do grande Luchino: centenário de nascimento e 30 anos de sua morte. Visconti é o meu autor preferido. Gosto de muitos outros, mas com Visconti a relação é especial. Rocco e Seus Irmãos era, e ainda é, o filme da minha vida. Pois o Festival do Rio, num ato de amor ao cinema, como define Ilda, homenageia o diretor com uma retrospectiva. Não é completa, mas exibe todos os filmes em 35 mm e, trazendo o essencial, resgata uma preciosidade. Há anos, André Sturm, da Pandora, tenta, sem êxito, conseguir os direitos de distribuição de Vagas Estrelas da Ursa. O filme entrou num imbroglio qualquer de direitos e assim valeria ir ao Rio, para o o festival, só para ver a Electra de Visconti. Claudia Cardinale faz Sandra e o nome da personagem fornece o título alternativo que o filme recebeu em vários países. O original, Vagas Estrelas da Ursa, sai de um poema de Leopardi (e foi sugerido a Visconti pelo também diretor Mario Soldati). Visconti havia descoberto a lente zoom quando fez Vaghe Stelle. O recurso ocupa o centro de sua mise-en-scène. E o filme tem Marie Bell como Clitemnestra, a mãe adúltera e enlouquecida, e Jean Sorel como o irmão incestuoso, todos esplendidamente fotografados em preto-e-branco, em Volterra, cidade destruída pelo tempo, e com o Prelúdio, Coral e Fuga de Cesar Franck de fundo. Se existe uma Santiago de Compostella do cinema, Vagas Estrelas merece uma Via Láctea, uma ida ao Rio, a pé, só para ver esse monumento do cinema.