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Luiz Carlos Merten

26 Maio 2010 | 17h12

PARIS – No final, não fui ver ‘Les Infectés’, como havia planejado. Até ia, mas resolvi antes rever ‘Maratona da Morte’, de John Schlesinger, de volta ao cartaz numa cópia zero bala. Já vi o filme muitas vezes, inclusive na TV, e dublado, o que faz com que a célebre cena de Laurence Oliver perguntando ‘Is it safe?’, com todas as entocações possíveis, perca a força. A cena da tortura de Dustin  Hoffman na cadeira do dentista é um dos momentos mais assustadores do cinema. Confesso que não me lembrei dela ao entrevistar Takeshi Kitano, que cria uma cena parecida em ‘Outrage’, visto em Cannes. Querendo se vingar de um Yakuza, o próprio Beat Kitano rebenta a boca do cara com uma broca, mas o que é sinistro com Schlesinger vira paródia no filme japonês. Não tinha uma lembrança muito clara de ‘Maratona da Morte’, mas o filme me impressionou, tenho de confessar. Ficou tão sem bússola (interna) que preferi caminhar às margens do Sena, em vez de correr para outro cinema, como havia planejado.  Schlesinger era bom. ‘Perdidos na Noite’, ‘Domingo Maldito’, ‘Maratona’ e, no começo de sua carreira, ‘Ainda Resta Uma Esperança’. São todos filmes diversos entre si, em temas e estilo, mas na verdade há uma coerência. Tenho pensado em Schlesinger porque ‘Tamara Drewe’, de Stephen Frears, que vi em Cannes,  é uma releitura de ‘Longe Deste Insensato Mundo’, que o diretor de ‘Marathon Man’ adaptou de Thomas Hardy, com Julie Christe no papel de Batsheba. Vou voltar a ‘Maratona da Morte’, até porque existem coisas, no filme, que gostaria de repercutir com vocês. Aguardem!

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