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Luiz Carlos Merten

03 Abril 2010 | 11h49

Confesso que me aborreci bastante vendo ‘Os Homens Que Encaravam Cabras’, mas saí do cinema convencido de que era uma reação individual, o que aumentou minha depressão. Ainda bem que fui jantar com Lúcia e Érico e minha filha despachou o filme com um ‘irritante”, que me pareceu ter tudo a ver, porque foi a sensação que também tive. O filme está somentge em duas sessões do Arteplex. Fui na das 20 horas, sala lotada, a plateia ria das piadas e o meu saco inflando, prestes a estourar. Tive de pesquisar agora para saber quem é o diretor – Grant Heslov, sócio do astro George Clooney na empresa Smoke House. O filme é sobre esse jornalista, Ewan McGregor, que resolve curar sua dor de corno na Guerra do Iraque, ligando-se a Clooney, que integrava a brigada paranormal de Jeff Bridges. Clooney e, presumo, Heslov são do ‘bem’, politizados e progressistas. Estão querendo criticar o militarismo e a guerra. O Exército, como instituição, é seuy alvo. Ouso dizer que talvez tenham tomado Stanley Kubrick  como referência, mas ‘Cabras’ tem tanto a ver com ‘Doutor Fantástico’, o presumível modelo, quanto… Sei lá, uma cópia fajuta m relação a qualquer original de valor. É que Kubrick, em 1964, estava criando algo novo, inventando alguma coisa. Hoje em dia, esses caras têm a referência e têm de posar de intelifgentes. Eu fiquei o tempo todo me sentindo burro, porque não achava graça nenhuma naquelas piadas patéticas. O tom bizarro, os personagens caricatos, me davam a impressão de estar num mau filme dos irmãos Coen, o que não deixa de ser redundância de minha parte, porque, para mim, eles já são sinônimo de filmes ruins. Seria, então, um filme pior dos irmãos Coen. Os norte-americanos têm uma expressão, ‘self conscious’. Clooney e Bridges correm o risco de estar ficando – ou já ficaram – self conscious demais para o meu gosto. Um pouco menos – de tudo: de mostrar como são talentosos, inteligentes e militantes das boas causas – seria bastante bem-vindo. P… filme irritante, meu.