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Luiz Carlos Merten

01 Maio 2008 | 15h29

RECIFE – Fui ver ontem à tarde ‘O Homem de Ferro’ no Shopping Tacaruna, pertinho do Cine-Teatro Guararapes. Não fui a pé para o festival, no fim da sessão, porque sou preguiçoso, mas teria dado. Cheguei a tempo de ver os curtas, o longa. Fiz meu trabalho direitinho, viram? Engraçado, não é? ‘O Homem de Ferro’ era como se chamava o filme de Andrzej Wajda sobre o sindicato Solidariedade (e o diretor ganhou a Palma de Ouro, acho que em 1982). Vi o filme de Jon Favreau numa sessão-pipoca, dublado e no meio de uma criançada que se divertia muito. (Já ouço os protestos – todos colonizados, coitadinhos, até o autor do post, alguém mais ‘ideologizado’ vai dizer.) Mas vamos lá. Eu também me diverti com ‘O Homem de Ferro’, e agora quero ver o filme na versão com legendas. Sei que o Jotabê Medeiros, que fez a crítica para o ‘Caderno 2’, não gostou, mas o Jota leva os quadrinhos mais a sério do que eu. Ele quer fidelidade ao espírito. Eu não cobro isso dos clássicos da literatura adaptados para cinema, vou cobrar das HQs? Só se fosse louco. Acho que o filme é cheio de problemas. Legal que o Favreau tenha pegado o Robert Downey Jr. para fazer o papel, mas ele deve ter pensado no marketing. Um super-herói alcoólatra só tem a ganhar com um ator drogado e bêbado, ou não? Mas eu confesso que gosto mais do Downey Jr. na segunda parte, depois que ele abandona os porres (ihhhh! Será que estou tirando a graça?). Ele de bêbado até vai, mas ter ‘saído’ com todas as capas de ‘Playboy’ do ano? Aquele cara? Pura fantasia de Hollywood. Acho que o personagem de Terrence Howard – o ‘amigo’ – me convenceria mais na cama com 12 gostosas, mas ele ficou muito bobo, ou talvez tenha sido a dublagem. Apesar disso, a aventura é bacana, a personagem da Gwyneth Paltrow é ótima (e a resposta dela para a ‘biscate’, logo no começo, é hilária). A ‘crítica’ à indústria armamentista é um bom mote, e o filme faz a transição do Vietnã, onde o personagem surgiu, para o Afeganistão com desenvoltura. É preciso atualizar, não é? Mas eu confesso que gostei foi de uma coisa que nem consegui racionalizar direito. Já havia gostado da humanização do robô – da máquina, na contracorrente de Kubrick, ‘2001’, em ‘Transformers’, de Michael Bay, aquela coisa do olho. Como humanizar um olho mecânico? Aqui, o Favreau meio que retoma a idéia. O herói é aquela armadura, mas dentro dela bate um coração, como nos lembra Gwyneth Paltrow, e no limite é esse coração que salva Robert Downey Jr. na hora H. O ator expressa isso melhor que a pulsão sexual. Me convence. Mas em dois filmes, dois blockbuster seguidos, isso já está virando uma tendência da indústria. Prometo pensar sobre o asssunto, e vamos ver se a tendência prossegue em ‘Speed Racers’, dos irmãos Wachowski. Ah, sim, só para concluir. Quando disse, no almoço, que tinha ido ver ‘Iron Man’, coleguinhas – não vou dizer quais – não deixaram por menos. ‘Também vou/vamos”, disseram. “A gente precisa ver cinema de verdade.’ Também não é assim, moçada. Cinema de verdade são os filmes citados pelo Mário Kawai
nos comentários do post anterior – menos o de Terry Gilliam, insisto -, ou então “Estômago’, já em cartaz nos cinemas, e ‘Operação Condor’, o belo documentário de Roberto Mader que estréia hoje. Vejam!

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