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Luiz Carlos Merten

04 Setembro 2008 | 14h33

É curioso como ficam entrando novos comentários sobre velhos posts e, como eles agora necessitam de aprovação, terminam por inundar minha caixa de e-mails. Abri agora um comentário do Leonardo sobre o post ‘Kate Hansen’ e, ao aprovar, fui remetido ao próprio post, onde encontrei um antigo comentário de Carlos Pereira, do qual nem me lembrava. O Carlos pergunta por que grandes filmes brasileiros como ‘Iracema, Uma Transa Amazônica’ somem na noite dos tempos e ficam esquecidos? A pergunta dele refere-se ao fato de que eu falo na Kate por seu papel como a imperatriz Leopoldina em ‘Independência ou Morte’, de Carlos Coimbra, lembrando que Coimbra – meu biografado na Coleção Aplauso, da Imprensa Oficial – dirigiu também uma ‘Iracema’ com minha ídola na pornochanchada, Helena Ramos. Carlos Pereira fez a associação com a outra ‘Iracema’, a de Jorge Bodanzky, e se eu volto ao assunto é por causa da entrevista que fiz na edição de ontem do ‘Caderno 2’ com Walter Salles e Daniela Thomas, antecipando a estréia, amanhã, de ‘Linha de Passe’. Havia perguntado ao Walter – ai, meu Deus, vai parecer muito íntimo, ou muito deslumbrado -, ao Salles sobre a diminuição de público para o cinema brasileiro. A pergunta, objetivamente, era se a queda da participação brasileira no próprio mercado, de 22% em 2003 para 6,09% agora, estaria configurando uma rejeição do público. Não sei se vocês leram a entrevista, mas achei bem legal. A resposta de Walter Salles – “Em primeiro lugar, cabe a pergunta, para que serve o cinema? Para gerar uma memória, um reflexo da sociedade ou para vender pipoca? Eu não sei quanta gente viu ‘Rio 40 Graus’, ‘Terra em Transe’, ‘São Paulo S.A.’ ou ‘Iracema, Uma Transa Amazônica’ quando esses filmes foram lançados, mas sei que eles serão vistos e revistos ao longo do tempo porque nos explicam, falam sobre quem somos e de onde viemos. Em outras palavras, estamos avaliando hoje o cinema brasileiro a partir de critérios puramente quantitativos, o que é, no mínimo, insuficiente.”