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Invisível?

Luiz Carlos Merten

05 Junho 2014 | 13h36

Minha filha estava voltando para casa com a amiga, de carro, quando ambas foram assaltadas no semáforo. Pela segunda vez. Há um mês e pouco, um cara encostou o revólver na cabeça da Lúcia, pedindo o celular. Ela ficou nervosa, o celular caiu da mão, não conseguia localizar pelo tato e o cara nervoso – Fabí jogou o celular dela e o cara, um coroa, saiu correndo. A segunda vez foi pior. Segunda-feira, oito e pouco da noite, numa avenida movimentada de São Paulo – eu estava no meu voo de Paris, rumo a São Paulo. O carro delas era o segundo, na primeira fila – eram três (filas). O cara, armado, mandou-as sair do carro, e a Lúcia, desesperada, se arriscou para arrancar a buldogue (Angel) do banco de trás. A cachorra estava sem guia, é pesada. O semáforo estava fechado. Tudo bem. Ninguém ia se arriscar, nos carros ao redor, para bancar o herói. Mas, depois que o carro delas disparou, poderia ter havido alguma solidariedade. Não houve. A Lúcia com a cachorra no colo e os demais carros, todos arrancando, quase a atropelaram. Era como se ela não estivesse ali, como as crianças que estendem a mão também não estão, para a imensa maioria dos motoristas que param nos sinais das grandes cidades. Invisível. Os ‘bandidos’ estão cada vez piores, mas as pessoas de bem estão cada vez mais à altura. Essas coisas me abalam, muito.