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Intervalo, não, por favor!

Luiz Carlos Merten

27 Janeiro 2009 | 18h59

LISBOA – Estou tentando limpar minha caixa postal e validar os e-mails, mas estou tendo dificuldade. Como estou, além de tudo, postando de lan houses – e pagando em euro! – fica muito caro. Uma hora não sai por menos de R$ 15. Tenham paciência. Deixem-me narrar um pouco sobre minhas experiências turísticas. Fui hoje a Nazaré, Fátima e Batalha, para rever a maior de todas as maravilhas de Portugal, o mosteiro construído para celebrar a vitória dos portugueses na batalha de Aljubarrota. Batalha é o maior monumento do gótico português. Foi a segunda vez que o visitei e, como da primeira, fiquei pasmo. Vocês sabem que estudei arquitetura, e tenho até hoje esse fascínio por sua história. Batalha foi construído por arquitetos portuguses e franceses, apresentando um rendilhado em pedra – e, principalmente, todo aquele bestiário das gárgulas – que me parece ter muito a ver com Notre Dame. Numa das extremidades do grande edifício, a chamada capela ‘imperfeita’ – porque nunca concluída – me emociona justamente por esse limite que ela impõe ao gênio humano, num prédio que, de resto, é o que há de perfeito. Aliás, por falar em perfeição, fui rever ontem à noite ‘O Curioso Caso de Benjamin Button’. Pelamor de Deus! Gostei ainda mais do filme de David Fincher. Depois de ver ‘Slumdog Millionaire’, havia ficado em dúvida se o filme de Danny Boyle não seria melhor. Ele pode ganhar todos os Oscars, como ganhou os Globos de Ouro – e o ‘Benjamin Button’ não ganhou nada -, mas o filme de David Fincher, para mim, é melhor. Só quero reclamar dos cinemas em Portugal. Os filmes passam com intervalos. No meio da sessão, abruptamente – e nos momentos mais impróprios -, o filme é interrompido durante sete minutos para que as pessoas possam comprar pipoca e ir ao banheiro. Podemos ser atrasados em muita coisa, mas no Brasil os filmes passam sem legendas nem intervalos. Sim, somos mais civilizados – ou cinéfilos -, malgré tout.

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