Estadão - Portal do Estado de S. Paulo

Cultura

Cultura » Interação

Cultura

Luiz Carlos Merten

17 Março 2008 | 14h36

Tirei outro fim de semana sabático no blog, mas não pensem que fiquei por aí, à toa na vida. Na sexta-feira à noite havia visto ‘Ensina-Me a Viver’, adaptado do filme ‘Harold and Maude’, de Hal Ashby, com roteiro de Colin Higgins, que recebeu o mesmo título da peça nos cinemas brasileiros. Não teve a menor graça. Além de o filme ser melhor – mas será que é mesmo? Em 1972, não era muita gente que se encantava com a história do adolescente suicida que descobria a vida (e o sexo) com a velhinha ‘pra frentex’, como se dizia na época –, eu também vi a montagem com Henriette Morineau. Sem querer ofender Glória Menezes, não dá. Ruth Gordon e Madame Morineau! O que elas fizeram está feito e acabado. Eu vi, quem não viu talvez se divirta com a nova versão, mas obviamente ela perde o pique e vira um show pirotécnico (de efeitos e do ator/produtor). Mas eu confesso que o que mais me deu saudade não foi da piração do jovem Diogo Vilela nem das hilárias tentativas de suicídios de Bud Cort. Foi da trilha do Cat Stevens. Era ótima, e creio que contribuiu para a reoputação do cantor e compositor da mesma forma que o filme estabeleceu a do roteirista Higgins, que virou depois diretor e fez filmes engraçados, tipo ‘Como Eliminar Seu Chefe’, com Jane Fonda, Lily Tomlin e Dolly Parton, e ‘A Melhor Casa Suspeita do Texas’, de novo com a Dolly. Sábado de manhã, houve no Cinesesc a coletiva de lançamento do 13º Festival de Documentários É Tudo Verdade. Amir Labaki falou pelos cotovelos e na seqüência vimos o filme que vai abrir o evento no Rio – ‘Sem Fim à Vista’, de Charles Ferguson, sobre a Guerra do Iraque. O filme concorreu ao Oscar da categoria, em fevereiro, e era o preferido do próprio Amir, mas perdeu, como você sabe. Terminou passado da uma e meia, fui almoçar com minha filha e genro, tentei postar alguma coisa (mas a máquina não salvou e a partir daí resolvi tirar a folga). À noite, vi filmes em DVD para a página que saiu hoje no ‘Estadão’. Ontem pela manhã, vim para o jornal, almocei e à noite fui ver ‘Arrufos’, a nova criação do Grupo Dezenove de Teatro. Havia gostado de ‘Histeria’, um pouco menos de ‘Higiene’, mas com ‘Arrufos’ fiquei me perguntando o que fazia lá na Vila Maria Zélia – que lugar fascinante! – , no meio daquela gente louca. Não gostei nem um pouco, mas o elenco retribuiu. A peça é interativa e, lá pelas tantas, um ator me convocou para fazer alguma coisa. Eu disse que não. Obviamente, ele não havia sido preparado para lidar com a recusa, o que era uma prerrogativa minha (ou de qualquer espectador). Ficou agressivo. Não é por medo, nem por me recusar à interatividade, pura e simplesmente. Depois do meu batismo cavalgando a walkíria do Zé Celso por todo Oficina, em ‘Os Sertões’, não haveria problema, se eu soubesse o que o cara queria de mim (ou se estivesse gostando). Mas, enfim, estou dando esta geral e agora vamos por partes. E, ah, sobre ‘Arrufos’. Torço para que o grupo dê a volta por cima. E vou rever ‘Histeria’, se, como me disseram, a peça voltar.

Encontrou algum erro? Entre em contato