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Luiz Carlos Merten

19 Julho 2009 | 12h30

Estou aqui na redação do ‘Estado’. Não é meu plantão, mas vim fazer os filmes na TV de amanhã, mais uma matéria para a edição de terça do ‘Caderno 2’. Normalmente, teria feito isso na sexta, mas havia saído para ver a nova diatribe de Sasha Baron Cohen, ‘Bruno’, e terminei deixando para hoje. Antônio Gonçalves Filho chegou, trocamos as habituais figurinhas – o que viste ontem? – e ele me disse que ficou em casa curtindo as trilhas sonoras que comprou na Compact Blue, uma loja especializada na Galeria do Gugu, ali na Augusta. Toninho comprou, entre outras, as trilhas de ‘Rocco e Seus Irmãos’, um trabalho magistral de Nino Rota para Luchino Visconti – a música quando Nadia, estuprada por Simone, posta-se chorando diante de Rocco, é um tema que me persegue a vida inteira – e também outras trilhas de Piero Piccioni (‘Desejo Que Atormenta/Senilitá, de Mauro Bolognini) e Michel Legrand (‘A Piscina’, de Jacques Déray). Viajei nas lembranças. ‘A Piscina’ é estrelado por Alain Delon e Romy Schneider, ambos no auge da beleza. Maurice Ronet fecha o triângulo amoroso e Romy e Delon têm cenas de uma voltagem erótica na beira da píscina que transformam o filme num monumento de, sorry, paudurescência, como diria meu ex-editor, Evaldo Mocarzel. Mas falamos também de Bolognini e sua adaptação de Ítalo Svevo, ‘Senilidade’. A cena em que Tony Franciosa está na rua e vê passar a irmã, Betsy Blair, enlouquecida pelo desejo reprimido, faz parte das minhas emoções inesquecíveis no cinema. Engraçado é que, quando eu ia citar a cena, o Toninho sacou sua descrição da mesma imagem. Por volta de 1960, a nouvelle vague estava revolucionando a França e o mundo e Hollywood estava celebrando todos aqueles filmes que fazem parte da história – ‘Intriga Internacional’, ‘Onde Começa o Inferno’, ‘Quanto Mais Quente Melhor’, todos de 1959, um ano mítico. Mas não tinha para ninguém. O cinema italiano era o top, com todos aqueles grandes diretores e filmes. Para completar, Antônio Gonçalves Filho me disse que viu um filme, um só, mas que valia por todos que pudesse ter visto, e esse foi pura Hollywood. ‘Almas Maculadas’, The Tarnished Angels, um Douglas Sirk adaptado de Faulkner, com três dos quatro atores de ‘Palavras ao Vento’, também de Sirk: Rock Hudson, Robert Stack e Dorothy Malone. Só de lembrar esses filmes e trilhas sou capaz de ficar um dia inteiro, aqui, viajando nas lembranças.