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Luiz Carlos Merten

02 Janeiro 2007 | 15h06

Estava saindo ontem do jornal quando minha colega Maria da Glória Lopes me passou a informação de que George Lucas filma ainda este ano a quarta aventura de Indiana Jones. Queria voltar ao blog para postar alguma coisa, mas se o fizesse ia ter de reabrir o computador e me arriscava a perder o filme que estava indo ver no cinema. O terceiro filme da série, Indiana Jones e a Última Cruzada, é de 1989, o que significa que há quase 20 anos (18!) os fãs cobram do produtor Lucas e do diretor Steven Spielberg o retorno do personagem. O primeiro da série, Os Caçadores da Arca Perdida, é de 1981 e o segundo, meu favorito, Indiana Jones e o Templo da Perdição, foi feito em 1984. Sei que tem gente que vai achar uma bobagem perder tempo falando de Indiana Jones. Afinal, o País tem tantos problemas para enfrentar e a gente deveria, quem sabe, ficar discutindo o Programa de Aceleração do Crescimento, que o presidente Luís Inácio Lula da Silva anunciou ontem no discurso de posse para o seu segundo mandato. O assunto PAC me interessa muito, mas não a ponto de me fazer desistir de Indiana Jones. Para quem curte cinema de ação como eu, a série do Spielberg e do Lucas é um regalo. E não é só pela ação, pela humor e pela aventura. O desfecho de Caçadores, quando a Arca é encerrada a sete chaves pelos burocratas, tem a ver com o final de E.T., quando os agentes do governo também querem capturar o extra-terrestre. Para quê? Para estudá-lo, dissecá-lo, destruí-lo? Acho que há uma vertente da carreira do Spielberg, a das fantasias, na qual ele usa o cinema como uma arma contra o aprisionamento da mente. José Onofre, meu ex-editor no Caderno 2, dizia que Spielberg era um caçador de sonhos no sentido nabokoviano. Para o autor de Lolita, toda obra de ficção, por mais realista que se pretenda, é sempre um conto de fadas. Também acho, mas isso descobri só mais recentemente, que os vários movimentos que compõem a obra, aparentemente tão diversa e até contraditória de Spielberg, na verdade são muito mais unitários que parecem. Há pelo menos dez anos, e em entrevistas com Lucas e Harrison Ford – nunca entrevistei Spielberg, o que é motivo de frustração, para mim –, ouvia falar do miraculoso roteiro para um quarto filme da série. Todos, o produtor, o diretor e o astro, nunca descartavam um novo Indiana Jones, mas condicionavam a realização ao roteiro. Parece que Lucas e Spielberg finalmente chegaram onde queriam. “Vai ser fantástico, o melhor de todos”, anuncia o produtor. Tomara que seja! Lucas fez o anúncio na sexta-feira e nada antecipou sobre a trama. Disse apenas que terá vários mistérios interessantes. Em outubro, em Roma, Harrison Ford já havia dito que estava animado com a idéia de vestir de novo o chapéu do dublê de arqueólogo e aventureiro. Ford, na verdade, necessita de um sucesso, porque sua carreira anda meio caída. Deste trio, só Spielberg anda tinindo, após sua sensacional trilogia formada por O Terminal, Guerra dos Mundos e Munique. Gosto da série Star Wars e achei impressionante a transformação de Annakin Skywalker em Darth Vader no desfecho do terceiro filme, mas reconheço que a agora primeira trilogia é muito irregular, o que deve ser creditado ao Lucas diretor (ele é melhor produtor, sem dúvida). A idéia é filmar o quarto Indiana Jones ainda este ano para lançamento – quando? Em 2008 ou 2009? Quem viver, verá.