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In memoriam de Cony

Luiz Carlos Merten

07 Janeiro 2018 | 17h40

Ainda estou em Foz, mas retirei a procedência, porque esse post independe do lugar em que estou. É sobre a morte, aos 91 anos, de Carlos Heitor Cony. Não fui seu maior leitor, não gostei da adaptação de Quase Memória por Ruy Guerra. Mas sempre acompanhei, na medida do possível, o Cony cronista da Folha. Como Ruy Castro, mesmo que eventualmente não concorde com eles, é sempre bom lê-los. Li Pilatos há mais de 40 anos, na mesma época em que devorava Roá Bastos, Horácio Quiroga, Gabriel García Márquez, Jorge Luís Borges, Bioy Casares e Ricardo Guiraldes. Em plena ditadura, a leitura de Cony liga-se à minha descoberta da latinidade, e mesmo que ele não fosse ‘delirante’ como os grandes da língua espanhola, a história do mendigo que teve o pênis decepado me impressionou muito, na época. Sei que tem gente que ama Quase Memória, o filme, mas eu confesso que o ‘meu’ Ruy Guerra ficou no passado. Ruy tornou-se mestre na arte de complicar e até tornar incompreensível o que poderia ser simples. Não gostei do seu Cony, lamento. Talvez esse post não seja emotivo nem respeitoso como gostaria. Afinal, a trajetória de Cony como homem e intelectual é digna de elogios, e eu o saúdo por isso, mas não consigo ir mais fundo. Sei que Cony teve uma atividade importante na teledramaturgia da Rede Manchete, mas nem sobre isso posso falar, porque foram novelas que não vi. Só acho que a morte desse homem não pode passar em branco, num momento de tamanho retrocesso.