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Impossível?

Luiz Carlos Merten

08 Outubro 2012 | 09h40

RIO – Estou muito feliz com o resultado do primeiro turno em São Paulo. Vamos para o segundo, para o embate que vale, sem nenhum intruso caído de pára-quedas, e, se vocês não sabem em quem vou votar, é porque não me conhecem nada. Estou feliz também aqui no Festival do Rio 2012. No jornal e no blog, escrevi sobre minha admiração por ‘A Busca’, de Luciano Moura. Cheguei a criar uma frase de efeito – dificilmente surgiria outro filme melhor. Bem, o impossível, às vezes, acontece. Como é mesmo que dizia Arthur C. Clarke – para atingir o impossível só o que se precisa é romper os limites do possível? Ainda vacilo um poouco em dizer que ‘O Som ao Redor’, de Kléber Mendonça Filho, consegue ser melçhor do que a ‘A Busca’, mas é tão bom quanto. E não poderia haver dois filmes mais diferentes. ‘A Buscva’ conta uma história, uma bela história de pai e filho e a aventura do garoto com o cavalo é uma das coisas mais emopcionantes que o cinema brasileiro me ofereceu ultimamente. ‘O Som ao Redor’ conta várias históreias – um filme coral – para não contar história nenhuma. O filme é feito de observações, um olhar sobre a cidade, um recorte sobre uma vizinhança em que o espectador é lançado num clima de tensão subterrânea que vira verdadeiro mal-estar (virou para mim). A gente espera que algo vá ocorrer,. mas o quê? Com certeza, vai passar pelo personagem de Irandhyr Santos, que entra naquele meio como agente de segurança, mas quem é esse homem? Quem é esse ator extraordinário? Já vi Irandhyr no set, ele fica lá no canto, incomunnicável, e quando vem para a cena está ‘possuído’ pelo personagem. Irandhy é o nosso Stanislawski. João Miguel, em ‘Éden’, de Bruno Safadi, disse que Stanislawki porra nenhuma, o método dele é baiano. E Wagner Moura é aquela intensidade em ‘A Busca’. Irandhyr expressa o autocontrole, uma calma assustadora. Wagner expõe o medo, a insegurança do pai – cadê o meu filho? E João Miguel, que muda de filme para filme, não é menor inquietante nem assustador como esse pastor que exerce seu domínio sobre a multidão e quer enredar a personagem de Leandra Leal. Tenho meus favoritos para a premiação do Festivalo do Rio 2012. Acho que ‘A Busca’ tem perfil de vencedor, mas eu, que detesto dividir pr~emiuos, seria capaz de dar melhor filme a um (Luciano Moura) e melhor diretor a outro (Kleber). Wagner era tão tranquilo como melhor ator e aí veio Irandhyr para embolar o campo. Só Leandra Leal é soberana como melhor atriz, por ‘Éden’. Que bela geração de atores essa do cinema brasileiro – Wagner, João Miguel, Irandhyr. E ainda não fiz minha confissão. Não sei por quê, é uma coisa gratuita, mas nunca simpatizei muito com Lima Duarte. Talvez tenha sido o fatro de eler ser trão9 copnvincente como ‘Sargento Getúlio’, no filme de Hermano Penna. Tive um choque com o Lima no desfecho de ‘A Busca’. Seus 10 ou 15 minutos como pai de Wagner e avô do garoto são de uma beleza que me deixaram mudo – só chorava. Tinha de deixar re4gistrada aqui a minha funda impressão sobre Lima Duarte. Ele é maravilhoso. Seria um Redentor muito tranquilo como melhor coadjuvante, mas também aqui o campo está embolado. Tem também Zé de Abreu como o Portuga de ‘Meu Pé de Laranja Lima’. E o Zé ainda se beneficia do momento ‘Nilo’, com seu papel na novela ‘Avenida Brasil’, de João Emmanuel Carneiro. Entre o que eu gostaria que ocorresse na premiação do Festival do Rio, quinta-feira à noite, e o que vai ocorrer pode haver um divórcio muito grande. Só espero que o júri reconheça a importância de haver uma animação como ‘Uma História de Amor e Fúria’, de Luiz Bolognesi, entre os concorrentes. Gostei muito do filme que vi em DVD. Imagino que, hoje à noite, na tel.a do Odeon, vá ser muito melhor – isso, claro, se não se repetirem os problemas técnicos que têm atingido boa parte das projeções em digital. Elas viraram o pesadelo desse festival. Não sei quantos filmes da Mostra também serão projetados em digital, mas Renata Almeida e sua equipe devem se blindar para evitar dores de cabeça.