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Luiz Carlos Merten

08 Maio 2009 | 09h39

PARIS – Início da tarde em Paris (estou cinco horas à frente de vocês). Um dia feriado aqui na França, ligado ao armistício, no fim da 1ª Guerra. Já dei uma circulada, agora de manhã, aqui pelo Quartier Latin. Cruzei a ponte e, atravessando a praça de Notre Dame, fui até a rue de Rivoli, na lateral da Mairie (Prefeitura) de Paris. Queria ver a exposição ‘Le Petit Nicolas’, que homenageia o 50º aniversário do personagem criado por René Goscinny e Jean-Jacques Sempé. Estava fechada, justamente por causa do feriado. Vou ter de voltar amanhã, para ver, também na Prefeitura, outra exposição dedicada a Gustave Eiffel, o engenheiro criador da célebre torre, ‘le magicien du fer’. Na praça da prefeitura realiza-se o evento ‘Faites l’Europe’, que busca um trocadilho entre fêtes (festas) e faites (faça, ou façam) a Europa. O que se discute aqui é a união européia, se existe uma identidade européenne. Não deixa de ser o tema de ‘Import/Export’, do austríaco Ulrich Seidl, que está estreando hoje no Brasil. O filme conta duas histórias cruzadas. A de uma enfermeira ucraniana que vai para a Áustria, para ser faxineira num centro de geriatria, e a de de um austríaco, agente de segurança, que faz o caminho inverso e vai para a Ucrânia. As duas migrações paralelas ilustram as fronteiras sociais entre Leste e Oeste. É o mesmo tema de ‘Éden à l’Ouest’, que Costa-Gavras foi mostrar no Recife. Atravessava a praça, no meio de todas aquelas barracas, quando ouvi Astrud Gilberto – parecia ela – cantando ‘Tristeza, não tem fim/felicidade, sim’. Quem cantava era uma garota francesa, loira, linda, que aprendeu os versos de ‘A Felicidade’ e os reproduz à perfeição, mesmo que engula algumas vogais ao cantar. A bossa nova, como a nouvelle vague, faz (fez) 50 anos. O festival do cinema brasileiro de Paris, por sinal, homenageia meio século do movimento musical (e comportamental, também, ou me engano?). Hoje, Helena Solberg mostra – e discute com o público – ‘Palavra (En)Cantada’. Mas o show de Adriana Calcanhoto, que eu queria tanto ver – nunca a vi no palco -, será dia 12 à noite, véspera do início do Festival de Cannes, quando já estarei – espero! – na Croisette, aquecendo minhas baterias para o maior evento de cinema do mundo.