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Luiz Carlos Merten

22 Agosto 2008 | 10h36

Rogério ficou muito suscetível, porque citei o Leonardo e esqueci dele no post sobre ‘A Invenção de Morel’. Está feito o acréscimo. Poderia ficar falando horas do argentino Bioy Casares, amigo de Jorge Luís Borges e ele próprio um grande escritor. Esses dois fatores, a amizade com Borges e a qualidade (literária) já justificariam meu interesse por ele, mas Casares foi um personagem e tanto. Herdeiro de uma família rica ligada à pecuária, ele começou na literatura como hobby, antes de se fazer profissional. Ligado à cultura francesa, foi um aristocrata que atravessou meio solitário as décadas de peronismo e ditaduras militares, até morrer, acho que em 1999. Estou falando de Casares, de sua vida e morte, mas na verdade iniciei este post com outro objetivo, do qual terminei me desviando. Vamos recolocar a coisa nos trilhos. Não comentei nada sobre a morte de Leopoldo Serran e agora tenho de acrescente a esta morte a notícia de outra. Morreu Ida Laura, poeta e roteirista que foi crítica de cinema aqui no ‘Estado’. Aliás, o jornal teve grandes críticas de cinema – Ida, Ilka Marinho Zanotto, Pola Vartuk. Ela se formou em psiquiatria (na USP), mas nunca exerceu a profissão. O curso deu-lhe uma ferramenta importante – permitiu que conhecesse melhor os sofrimentos e dificuldades do ser humano, e este foi o material de sua poesia (‘Nova Idade’) e também de roteiros editados em forma de livro, como o de ‘Senhora das Águas, Senhor dos Raios’, já que Ida Laura, ao contrário de Antonioni, para quem roteiros são páginas mortas, acreditava que eles pudessem se sustentar como livros (como a peça de teatro, um Shakespeare, independe de representação). Ida foi presidente da APCA, a Associação Paulista de Críticos de Arte, nos anos 80. Ela está sendo velada no Cemitério São Paulo e ao meio-dia ocorrerá o translado para o Cemitério Getsemâni, onde será sepultada. Sobre Serran, vamos ao próximo post.