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Luiz Carlos Merten

22 Dezembro 2007 | 17h30

Embora de folga, fui hoje à redação do ‘Estado’. Tinha matérias para redigir, mas joguei um pouco de conversa fora com alguns colegas que lá estavam e ouvi, lá pelas tantas, uma história que não conhecia. Nem me lembro como o assunto caiu em Edward G. Robinson, mas a história que ouvi é a de que ele e Vincent Price visitaram juntos o jornal. Claro que isso foi há muitos anos. Robinson morreu no começo dos anos 70, depois de fazer grandes filmes de gângsteres e westerns. Ele trabalhou com Raoul Walsh, Joseph L. Mankiewicz, Howard Hawks, Fritz Lang, John Ford, Frank Capra. Lembro-me que quando ele morreu li um necrológio que dizia que Edward G. Robinson podia ser feio – um dos astros mais feios de Hollywood -, mas amava a beleza e virou colecionador de obras de arte. Sua casa era um verdadeiro museu que foi doado. Fiquei viajando nessa história, um pouco porque ela me lembrou o roubo do Masp – falo daqui a pouco -, mas também porque o acompanhante de Edward G. Robinson quando visitou a redação, ainda no Centro, era Vincent Price, o ator-fetiche da série que Roger Corman adaptou de Edgar Allan Poe. Vincent Price estrelou ‘Mortos Que Matam’, de Sidney Salkow, acho que em 1963/64. O título original era ‘The Last Man on Earth’ e o filme era adaptado de ‘I’m Legend’, de Richard Matheson, que por volta de 1970 teve nova adaptação e virou ‘A Última Esperança da Terra (The Omega Man), de Boris Sagal, com Charlton Heston. Devo ser uma das raras pessoas que viram as três adaptações do clássico de Matheson – estava particularmente curioso para ver se a nova versão ia manter a cena do personagem no cinema, buscando uma comunhão impossível neste mundo pós-apocalíptico em que só ele sobreviveu imune a um virus. Na verdade, ele não foi o único, mas durante boa parte da nova versão o que vemos são o herói e seu cachorro – uma cadela, Samantha – enfrentando aqueles vampiros infectados. Havia um filme que Charlton Heston via sozinho no cinema e era Woodstock, de Michael Wadleigh, numa explosão de música e sexo que realçava sua solidão. Há outro filme dentro do filme em ‘I’m Legend’ e eu achei emocionante que seja ‘Shrek’, cujos diálogos o personagem de Will Smith tem na ponta da língua. Não deve ser por acaso que as ceas escolhidas são as do ogro com o jumento, uma forma de homenagear Eddie Murphy como ícone negro e o filme ainda é cheio de referências à revolução musical de Bob Marley. Aquilo pode muito bem ser coisa de Will Smith, que já falara sobre Marley quando o entrevistei, há uns dois, três anos, por ‘Bad Boys 2’. Com os defeitos que ‘I’m Legend’ possa ter, gostei. Não é uma aventura. É um drama, pesado, e toda a primeira parte é muito dark. Tem cenas espetaculares, algumas caçadas, mas na maior parte do tempo são apenas o herói solitário, amargando a perda de tudo, incluindo a mulher e a filha, e seu cão. Acho o desfecho mais previsível, mas gostei do Will Smith e da Alice Braga. Ele é um fenômeno. Ouço dizer que ‘I’m Legend’ bateu recordes nos EUA e fez a maior abertura histórica de um filme no mês de dezembro. O recorde, em si, quanto rendeu etc, não me interessa tanto, mas o apelo da persona de Will Smith, sim. Ele não é o típico herói de ação. É um ator – de verdade! – e eu amo sua interpretação de Muhammad Ali, mas no caso o diretor era Michael Mann e isso tambem conta. Adorei reencontrar Alice Braga. Com Rodrigo Santoro, ela forma hoje a dupla de atores jovens brasileiros que está conseguindo levar uma carreira importante lá fora. Rodrigo descobriu sua latinidade e fez esses filmes em espanhol – o Che de Steven Soderbergh e o filme com Pablo Trapero. Alice emenda um papel atrás do outro. Ela veio ao Brasil para as festas de fim de ano, mas, depois de ‘Blindness’, está filmando atualmente com Jude Law. Êta guria boa, e linda! Barbaridade, tchê! E a Alice não me passa a idéia de deslumbrada com Hollywood. Ela não fica americanizada. Está feliz da vida porque vai fazer o filme de estréia de Marco Ricca na direção. Aguardem a entrevista no ‘Caderno 2’. E se preparem para ‘I’m Legend’. O filme estréia em janeiro, dia 18. Três ou quatro dia antes, virão ao Rio o astro – Will Smith já veio para o carnaval no ano daqela comédia ‘Hitch’ -, o diretor Lawrence (de ‘Constantine’, com E) e o roteirista e produtor Akiva… Como é mesmo? O cara que ganhou o Oscar por ‘Uma Mente Brilhante’? Espero estar aqui para entrevistá-los. Todos.

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