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Cultura » I’m in Heaven!

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Luiz Carlos Merten

23 Maio 2007 | 11h05

CANNES – Foi muito divertido. O festival interrompeu a exibição dos Prelúdios, antes do filme principal, e vem apresentando os episódios que mais de 30 dos maiores diretores do mundo fizeram para celebrar os 60 anos de Cannes em Chacun Son Cinéma. Hoje passou o episódio de Claude Lelouch, Cinéma de Boulevard, que é muito bonitinho. Lelouch conta uma história de família. Em 1936, o ano do Front Populaire e das primeiras férias pagas, seu pai, enamorado de sua mãe, seguiu-a dentro de um cinema e tentou a abordagem quando Fred Astaire cantava I’m in Heaven para Ginger Rogers na tela. Exatamente 30 anos depois, seu pai havia morrido e Lelouch, vencedor da Palma de Ouro por Um Homem, Uma Mulher, levou a mãe ao cinema para ver de novo Fred Astaire cantar que estava no céu. Eu saí do cinema assobiando (é como se diz no Sul, não assoviando) I’m in Heaven. Cruzei com várias pessoas que sorriam para mim e até puxavam conversa. Mas eu não estava no céu exatamente por causa de Cinéma de Boulevard e sim, porque havia assistido a um filme maravilhoso. Já tenho meu segundo candidato à Palma de Ouro, com o romeno Quatro Meses, Três Semanas e Dois Dias. É The Edge of Heaven , de Fatih Akin, diretor alemão (nascido em Hamburgo), de origem turca, que ganhou o Urso de Ouro por Head On (Contra a Parede). Fatih Akin lança outra ponte entre a Alemanha e a Turquia. Seu filme é marcado pelo movimento de dois caixões – um é despachado de Hamburgo para Istambul com o corpo de uma mulher turca e o outro segue o caminho inverso, contendo o corpo de uma jovem alemã. Correspondem aos dois capítulos de The Edge of Heaven – A Morte de Yeter e A Morte de Lotte. Ontem, meus colegas esperavam que eu chorasse vendo O Escafandro e a Borboleta, mas fiquei durão. Hoje, a experiência emocional foi tão intensa que eu chorei feito uma criança vendo The Edge of Heaven. Lágrimas, bem entendido, não são um critério de avaliação estética, mas eu gostei demais do filme de Fatih Akin. I’m in Heaven. Espero continuar. Estou indo para o Palais, onde ocorre, daqui a pouco, a sessão de Limite, de Mário Peixoto, que será apresentada por Walter Salles. Até!