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Luiz Carlos Merten

21 Maio 2010 | 14h20

CANNES – Cá estou na sala de imprensa, assistindo de longe à montée des marches da equipe do filme franco-argelino ‘Hors-la-Loi’, de Rachid Bouchareb, que concorre pela Argélia. Bouchareb já recebeu aqui o prêmio de interpretação masculina, dividido entre seus atores – Jamel Debbouze, Sami Bouajidi e Rochdy Zem – por ‘Indigènes’, que não me lembro como se chamava no Brasil. O trio poderia repetir o prêmio e ‘Hors la Loi’ estaria bem recompensado, embora eu, pessoalmente, preferisse ver premiasdo o chadiano que faz o pai em ‘Un Homme Qui Crie’. O novo Bouchareb era a bomba anunciada do 63.o festival. Confirmou-se como tal. A segurança foi redobrada no palais e, durante todo o dia, antigos combatentes, carregando no peito suas medalhas, fizeram manifestações contra o filme, é verdade que mantidos um tanto às distância. ‘Foras da Lei’ discute o terrorismo como ação política, incluindo o terrorismo de Estado, que a França praticava contra os nacionalistas que reivindicavam a independência da Argélia. O tema tem estado em discussão aqui na Croisette. Conversei com Olivier Assayas juastamente sobre isso, na entrevista que fiz hoje no final da manhã com o diretor de ‘Carlos’.  Leon Cakoff adorou o filme de Assayas. Espero que leve a versão de 5h30, feita para TV, e nãon a de 2h40, reduzida, para cinema. O próprio Assayas gostaria de lançar as deuas, simultaneamente, mas voltemos a Bouchareb. Seu filme é sobre sobre uma mãe – a pátria – e seus três filhos. Um é militar e combateu pelo Exército francês na Indochina, outro dirige o movimento clandestino e o terceiro usa um cabaré em Pigalle como fachada para atividades criminosas. Todos foras da lei, mas como ser diferente quando o próprio governo avaliza uma brigada criminal que pratica terrorismo contra alvos argelinos na França? ‘Hors-la-Loi’ abre-se – e fecha – com imagens de massacres. O primeiro, na Argélia, em 1945, o segundo em Paris, em 1961. Em 1962, a França recopnheceu a independência de sua antiga colônia. O filme é o testemunho de uma ferida ainda não cicatrizada. Independentemente de prêmios, ou não,  Hors-la-Loi’ ainda vai dar o que falar.