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Luiz Carlos Merten

23 Fevereiro 2008 | 12h50

Vim ao centro para cortar cabelo e fazer os novos óculos – os anteriores, perdi em Paris e estava usando um de farmácia! Dei uma volta nas galerias para ver DVDs antigos, uma de minhas diversões, e encontrei uma série de filmes de Akira Kurosawa, o que me permite voltar ao cinema japonês (e ao ciclo do Centro Cultural Banco do Brasil). Respeito muito a trindade Kurosawa/Mizoguchi/Ozu, mas todo mundo sabe que meu favorito é Kobayashi. Gosto dos grandes filmes de Kurosawa nos anos 50 – ‘Ikuru’ (Viver), ‘Rashomon’ e ‘Os Sete Samurais’ – e também das obras-primas da última fase de sua carreira – ‘Kagemusha, A Sombra do Samurai’ e ‘Ran’. Mas tenho de admitir que os filmes do Kurosawa do meu coração são os que ele fez com Toshiro Mifune no começo dos anos 60. ‘Yojimbo’, ‘Sanjuro’ – que é um dos maiores ‘pequenos’ filmes que conheço -, ‘Céu e Inferno’ e ‘Homem Mau Dorme Bem’. Estavam todos à venda, e mais ‘A Fortaleza Escondida’. Grande Kurosawa, o mestre do paradoxo e do movimento. Nunca vou esquecê-lo em Cannes, nas coletivas de ‘Sonhos’ e ‘Madadayo’. Não era à toa que ele era chamado de Imperador. A imponência física de Kurosawa era algo que paralisava a gente. Ao mesmo tempo que intimidava, ele tinha um olhar e uma calma que vou te contar. Estou postando de uma lan house aqui no centro. Me deu vontade de rever especialmente ‘Céu e Inferno’. É o que pretendo fazer, se conseguir achar o DVD que deve estar solto pela minha casa.