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Luiz Carlos Merten

09 Junho 2007 | 10h19

Olhei os comentários e quero dizer ao Júlio – mas tu tem sorte, meu irmão! Bem gauchês! Tu tem… O Júlio comprou, por R$ 13, o DVD com um dos maiores westerns do cinema, Winchester 73, com James Stewart, que acompanha a trajetória de um rifle no Velho Oeste. Gosto muito do Anthony Mann. Acho sua série com James Stewart sensacional. Gosto até dos épicos dele para o produtor Samuel Bronston, na Espanha. El Cid é maravilhoso. De A Queda do Império Romano, gosto pelos defeitos. Mas Mann foi um homem do Oeste, como se chamava seu bangue-bangue famoso com Gary Cooper e Julie London, que Godard adorava. Winchester 73 é simples e direto. Os westerns seguintes foram sendo cada vez mais psicanalíticos. Penso em Homens em Fúria e O Preço de Um Homem (The Naked Spur), com aquele rio cheio de corredeiras que representa as paixões humanas que, como no cinema de Kazan, se recsam a ser represadas. Mas tenho de confessar uma coisa. Uma das minhas grandes frustrações, que nem a Aurora, no breve período de sua existência, conseguiu suprir, foi nunca ter visto os filmes noir do Anthony Mann nem a a sua incursão pela Revolução Francesa – À Sombra da Guilhotina, que os franceses amam. São filmes que ainda quero ver. Agora me confundo, não sei se falei aqui ou nos filmes na TV, no Estado, sobre Era Uma Vez no Oeste, o super-spaghetti de Sergio Leone, que inverteu os códigos de Hollywood e fez do mocinho tradicional o seu vilão (Henry Fonda) e do bad boy de Hollywood o seu herói (Charles Bronson). Leone não inventou a frieza do pai de Jane Fonda. Quem fez isso foi Anthony Mann, na abertura de The Tin Star, que passou no Brasil como O Homem dos Olhos Frios. Não vou descrever a cena. Quem foi que me disse que não precisa, que se pode baixar na internet? Mas o Fonda entra na cidadezinha a cavalo. O olhar vazio aterroriza os habitantes. Atrás, outro cavalo com um cadáver – ele é caçador de homens. O Homem dos Olhos Frios é de 1957. Na seqüência, Edward Dmytryk fez Warlock, Minha Vontade É Lei, no qual Henry Fonda, o homem das pistolas de ouro, contratado para limpar uma cidadezinha de malfeitores, se estabelece no lugar, que passa a dominar pelo terror. Richard Widmark, que não é bom de pontaria, vai ser o único com coragem para enfrentá-lo. O filme é uma alegoria sobre o macarthismo. Dmytryk havia colaborado na caça às bruxas. Fez este filme para se redimir. Mann e ele foi quem mostraram a ambivalência de Henry Fonda. Sergio Leone apenas foi atrás. E Dmytryk ainda foi pioneiro ao enfocar o homossexualismo no western. Ou alguém tem dúvida de que Fonda e seu parceiro manco, Anthony Quinn, formam um par?