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Luiz Carlos Merten

27 Outubro 2008 | 13h09

Vamos a algumas dicas de hoje da Mostra. Acho que a maior corrida – de críticos, pelo menos – será ao Unibanco Pompéia, às 20h30, para assistir a ‘O Último Reduto’, filme franco-argelino de Raban Ameur-Zaimede. O que torna ‘Le Dernier Maquis’ – título original – tão atraente é o fato de que sábado, na coletiva da Mostra, ele recebeu o maior elogio do diretor Nicolas Klotz. Defensor radical do cinema de autor – foi quem assumiu a bandeira na coletiva –, Klotz fez o que talvez seja o melhore filme lançado este ano nos cinemas, ‘A Questão Humana’, que eu insisto em chamar de ‘A Condição Humana’. Comentei com ele que tenho um blog e que muitos de meus leitores concordam comigo que ‘La Question Humaine’ é the best. Klotz é muito legal e sugeriu que eu agendasse para conversar com ele sobre o assunto. Deixo a ‘questão’ em aberto e pergunto – o que vocês gostariam que eu perguntasse para ele? De volta a ‘O Último Reduto’, o filme se passa na periferia parisiense – na ‘banlieue’ –, onde um empresário emprega trabalhadores muçulmanos clandestinos. Para motivar a equipe, ele decide abrir uma mesquita, mas a situação se complica quando designa o imã – o líder religioso – sem consultar os trabalhadores. Não é que seja parecido, mas me parece um universo próximo ao de Abdellatif Kechiche de ‘O Segredo do Grão’, outro dos grandes filmes de 2008. O problema é que, se optar por assistir a ‘O Último reduto’, você vai perder outras (no plural) das indicações de hoje. ‘Three Monkeys’, do turco Nuri Bilge Ceylan, às 20h10 no Frei Caneca; ‘Mais Tarde Você Entenderá’, de Amos Gitai – com Jeanne Moreau! –, às 22h10 no HSBC Belas Artes; e ‘Poil de Carotte’, de Julien Duvivier, às 21h10, com acompanhamento musical ao vivo, no CineSesc. Fiquei em dúvida quanto ao último. Nunca vi o filme famoso de Duviver, diretor espinafrado pela nouvelle vague, mas de quem Orson Welles era tiete. Nas enciclopédias ‘Poil de Carotte’ é sempre apresentado como a transição do diretor para o cinema sonoro. Onde entra a música ao vivo? Assisti em Los Angeles a ‘Max Payne’, com Mark Wahlberg, que será distribuído no Brasil pela Fox. O filme passsa às 21h50 no Bombril. Baseia-se num videogame e estreou arrebentando nas bilheterias dos EUA. Não gostei. Achei muito videoclipe para o meu gosto e a mistura de visual estilizado com sobrenatural – os delírios dos personagens sob os efeitos de drogas – me levaram a pensar (não havia conferido o nome do diretor) que era um filme daquele russo horroroso, o Timur não-sei-das-quantas. Última indicação, que não é minha, mas do próprio Leon Cakoff. O Sr. Mostra está louco por ‘La Bohème’, que o austríaco Robert Dornhelm adaptou da ópera de Puccini (e passa às 19h40, também no Bombril). Numa boa – Leon é suspeito. Há anos que ele banca o Dornhelm na Mostra, e eu nunca entendi a razão para tanto entusiasmo (comparável ao que ele tem por Guy Maddin, outro que não engulo muito). De qualquer maneira, ando em lua de mel com o Puccini. A cena da ópera – ‘Tosca’ – é a melhor de ‘Quantum of Solace’ e justifica sozinha o filme de Marc Foster em que Daniel Craig volta à pele de 007. Em defesa do decoro, e contra a pornografia, Pedro Cardoso vai gostar de saber que Daniel aposentou a sunguinha de ‘Cassino Royale’ e vai à ópera num elegante black-tie.