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Luiz Carlos Merten

04 Abril 2009 | 12h47

Estou em casa, onde acabo de assistir ao documentário ‘Sobreviventes’, de Miriam Chnaiderman e Reynaldo Pinheiro, sobre pessoas que sobreviveram a situações limites. Gostei muito e, na verdade, me emocionei demais. Miriam e Reynaldo fizeram um documentário de entrevistas e é curioso como este É Tudo Verdade está celebrando uma outra postura dos realizadores. José Padilha quase não intervém em ‘Garapa’, Eduardo Coutinho, como diz, é mero observador em ‘Moscou’. Preciso fazer logo um texto sobre isso, aproveitando o que conversei com o grande Coutinho, antes que esses rascunhos atirados aqui virem matérias dos outros. De volta ao ‘Sobreviventes’, a primeira entrevista já me desmontou. Aquele ex-presidiário que sobreviveu ao massacre do Carandiru e que, refletindo sobre a família, os filhos, que lhe deram novos motivos para viver, diz que espera qualquer coisa deles, tudo, menos que sigam seu caminho violento. Sou pai e aquilo que caiu como um raio. Doeu mesmo. E aí vem no final aquele outro pai, que também percorreu a bandidagem, a violência e virou escritor… Estou sozinho em casa. Minha filha saiu com o Érico. ‘Estamos’ a cachorra, Angel, e eu. Chorei pra burro no fim de ‘Sobreviventes’. Preciso articular um texto melhor, que diga realmente alguma coisa sobre o filme. Hoje à noite, ocorre a premiação do É Tudo Verdade. Passei ontem no CineSesc para dar um alô ao Padilha, mas não fiquei para triver ‘Garapa’ (já vi duas vezes). Corri ao teatro para FAAP para ver ‘Dona Flor e Seus Dois Maridos’ (depois eu falo). Volto hoje à sala da Rua Augusta. Confesso que torço por alguns filmes da mostra competitiva brasileira. O de Coutinho, pois o velho, quando conversamos, me pareceu muito fragilizado. Ele não fazia média, mas o processo de ‘Moscou’ foi muito complicado e até agora Coutinho se refere ao próprio filme como um óvni, tentando entender o que fez, ou porque fez. Acho ‘Cidadão Boilesen’, também da mostra competitiva, muito forte, muito importante. Já que cometi aquela indiscrição no texto do ‘Estado’ – Padilha doou os direitos de ‘Garapa’ às famílias filmadas -, acho que um prêmio ajudaria a chamar a atenção para o filme, quando estrear, e seria bom, financeiramente, para quem de direito. Mas confesso que gostaria de ver o filme da Miriam e do Reynaldo ganhar algum prêmio, da mesma forma que o belo ‘A Chave da Casa’. Acompanho há tempos a obra de Paschoal Samora, ue já foi premiado em diferentes edições do É Tudo Verdade. Este é meu favorito, entre seus filmes. Um prêmio cairia bem.

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