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História de família

Luiz Carlos Merten

27 Outubro 2007 | 14h59

Não percam amanhã, no ‘Cultura’ – o ‘Caderno 2’ de domingo, dedicado à alta cultura -, a ‘Revista das Revistas’, seção fixa que traz toda semana uma reflexão do editor Luiz Zanin Oricchio. Ontem, havia uma prova da página solta na mesa e o título me chamou a atenção – é mais ou menos ‘O que significa hoje ser de esquerda?’ Existe aí uma meia-dúzia de babacas de direita, vocês sabem encastelados em que revista, que acha que o fim do comunismo enterrou a esquerda. Não é verdade. Este cadáver já vem insepulto há muito tempo e vai ser muito difícil acabar com ele. Zanin leu no ‘Nouvel Observateur’ que o filóofo Bernard-Henry Lévy lançou um livro sobre o assunto. Lévy, integrado à corrente dos novos filósofos, sempre foi um osso duro de roer pela esquerda ortodoxa, por seu pensamento independente que o levou a criticar muitas atitudes do Partido Comunista francês (e de Moscou). Isso até fez dele, numa certa época, um queridinho da direita, que usava suas críticas para demolir a esquerda. Às vésperas da eleição presidencial na França, Nicolas Sarkozy telefonou a Levy, pedindo que ele aderisse à sua candidatura. Lévy teve um gesto de herói fordiano – respondeu que poderia até ser amigo do aspirante à presidência, mas votar nele, nunca, porque seria trair sua ‘família’, a esquerda. E ele exemplificou – Sarkozy chamou de ‘escória’ os excluídos que andaram se manifestando em Paris. O adjetivo, a maneira de encarar o problema, tudo isso é de direita, diz Lévy. A família de esquerda pode errar (de várias formas), mas tem outra postura, mais ética, na sua análise dos problemas sociais. Não vê as coisas desse jeito simplista. Fiquei emocionado pela grandeza – insuspeitada, para mim – que Bernard-Henrti Lévy revelou. Ah, sim, Lévy é casado com Arielle Dombasle, bela (e sexy) atriz dos filmes de Raoul Ruiz. Um grande homem merece uma grande mulher. Não quero mistificar Lévy, mas achei porreta sua história de família. E leiam o ótimo texto do Zanin.

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