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Luiz Carlos Merten

09 Março 2009 | 18h40

Nem tive tempo de contar que entrevistei ontem, pelo telefone, a Laurent Cantet, o diretor de ‘Entre os Muros da Escola’, que estreia sexta. Laurent está no Brasil, no Rio e amanhã desembarca aqui em São Paulo para a pré-estreia de seu filme vencedor da Palma de Ouro. Na quarta, haverá outra sessão especial, seguida de debate com o público. Já entrevistei o diretor algumas vezes. No Rio, quando ‘Vers le Sud’ participou do festival; em Cannes, em maio passado. Ontem, fiquei mais de meia-hora com ele, pendurado num orelhão do centro, e pagando a ligação com cartão. Só eu mesmo. Adquiri o maior respeito pelo cara e considero ‘Entre les Murs’ um dos retratos mais vivos da França que tenho conhecido, feitos ultimamente pelo cinema. Pedi a Cantet que falasse sobre os demais filmes que concorriam ao César, o Oscar do cinema francês. Ele integrava o grupo, mas perdeu. Cantet me disse que, até por conta das sucessivas viagens que tem feito, acompanhando ‘Entre les Murs’ pelo mundo, não tem podido ver todos os filmes que gostaria, mas ele acha que o cinema francês está mais ligado na realidade social e menos comprometido com elocubrações existenciais e metafísicas. Não disse isso como se fosse um mérito, apenas constatando, mas eu sei que esse perfil ‘social’ tem mais a cara dele. Arrisquei uma interpretação – nessas últimas idas a Paris tenho sentido uma rejeição muito grande ao presidente Nicolas Sarkozy. É só puxar o assunto no táxi, na fila do cinema ou do teatro e a crítica corre solta. Ele concordou – a insatisfação com o governo está forçando os franceses, dos cineastas ao homem comum, a se preocupar mais com o país em que vivem. Leiam a entrevista amanhã no ‘Caderno 2’. E esperem por outra entrevista que fiz agorinha, com Hiam Abbas, a atriz palestina de Israel, de filmes como ‘A Noiva Síria’, ‘Paradise Now’, ‘Munique ‘ e ‘O Visitante’, que estreia na sexta. Já falei tudo de bom do filme de Tom McCarthy. Deixem-me falar agora da atriz. Hiam é uma bela mulher, madura, sensual, humana. O oposto da estrela, da pin-up. Adorei entrevistá-la. Ela vive na França, mais exatamente, em Paris. Pauta suas escolhas por filmes que sejam relevantes – pelas histórias, pelos encontros com os diretores – e que a ajudem a compreender a si mesma e a explosiva região em que nasceu. Não posso me queixar. Tenho feito entrevistas ótimas nos últimos dias. Richard Jenkins, Cantet, Hiam, Mike Leigh. Deus, como eu gosto dessa profissão!