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Heitor Dhalia no Festival do Rio

Luiz Carlos Merten

20 Setembro 2006 | 14h32

Assisti ontem ao novo filme de Heitor Dhalia, que vai para a Première Brasil no Festival do Rio. O Cheiro do Ralo baseia-se no livro de Lourenço Mutarelli. É coerente com o filme anterior do Heitor, Nina, que também já havia integrado a Première Brasil. Esta seção do Festival do Rio é hoje a grande vitrine do cinema brasileiro. Atrai olheiros dos maiores festivais do mundo, que já garimparam ali os filmes que vão a Cannes, a Berlim e outros festivais. O Cheiro do Ralo conta a história desse cara que não ama nada nem ninguém. Ele compra objetos usados, usando seu dinheiro para manipular as pessoas. Tem fixação em bumbum. Não bumbuns em geral, mas um, em particular. O filme abre-se com aquele derrière de fazer inveja ao de Jennifer López, do qual sai o título, O Cheiro do Ralo. Vira obsessão para o personagem do Selton Mello. É um dos melhores (o melhor?) trabalho do ator que está cada vez mais cult. Heitor fez um filme soturno, coerente com a visão de mundo de Nina. Substitui o preto-e-branco pela cor, mas esta não é a única diferença. Nina teve platéia reduzida. No Cheiro, sem fazer concessão, ele busca a comunicação com uma platéia maior, usando não apenas o carisma de Selton, mas também a música e o humor. Heitor Dhalia quis ser mais leve (e é), mas seu filme deve criar bochincho no Festival do Rio, que este ano vai ter aquela constelação de paulistas (Tata Amaral, Ricardo Elias).Conversei com o Heitor agora de manhã e tirei sarro – o filme é uma piração. Ele diz que a piração é da cabeça do Mutarelli e brinca que, em comum com o personagem que filma, só tem a tara.