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Cultura » Hazel, que foi estrela de Roger Corman

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Luiz Carlos Merten

21 Abril 2008 | 10h01

Nunca fui muito fã de Roger Corman, embora ache, claro, seu trabalho como produtor, dando a primeira oportunidade a talentos como Francis Ford Coppola e Jack Nicholson, interessante. Gosto médio de sua série de adaptações de edgar Allan Poe com Vincent Price, e gosto mesmo é dos filmes de gângsteres. ‘Machine Gun Kelly’, que se chamou no Brasil ‘Dominados pelo Ódio’, ‘Massacre de Chicago’ e o melhor de todos, ‘Bloody Mama’, quye ficou sendo aqui ‘Os Cinco de Chicago’, com Shelley Winters no papel de uma mãe sanguinária que impulsionava os filmes ao crime. ‘Os Cinco de Chicago’ é de quando? 1969/69, portanto contemporâneo de ‘O Resgate de Uma Vida’ (The Grissom Gang), que Robert Aldrich fez logo a seguir, adaptando James Hadley Chase, e que é um filme que eu amo de paixão. Aliás, vou dizer para vocês, existem filmes de gângsteres célebres como o ‘Scarface, Vergonha de Uma Nação’, de Howard Hawks, e ‘Alma no Lodo’ (Little Caesar), de Mervyn LeRoy, que estabeleceram a reputação de Paul Muni, George Raft, Edward G. Robinson, etc, e existe a série do ‘Chefão’, de Coppola, que não é um filme de gângsteres tradicional, mas no gênero, no gênero mesmo, minhas preferências vão para ‘Os Cinco de Chicago’, ‘O Resgate de Uma Vida’ e o ‘Scarface’ de Brian De Palma, que prefiro ao de Hawks, mesmo que Hawks seja maior autor do que De Palma jamais poderá ser. ‘Bloody Mama’ é demais e por que é mesmo que meu deu de falar de Roger Corman nesta manhã de segunda-feira, fim de feriadão? Porque há dias estou para lembrar que morreu a ruiva Hazel Court, atriz de alguns dos filmes ‘poenianos’ de Corman -‘Obsessão Macabtra’, ‘O Corvo’ e ‘A Máscara da Morte Vermelha’. Tenho para mim que ‘O Corvo’ é o melhor de toda a série, com aquela fotografia deslumbrante (de Floyd Crosby, o operador de Murnau) e o roteiro brilhante (de Richard Matheson) que leva um confronto burlesco entre atores míticos como Price, Peter Loore e Boris Karloff. Ou seja, de quem menos falei neste post, que devia ser sobre ela, foi sobre Hazel Court. Acho que o que faltou para Hazel virar cult foi que algum daqueles italianos – Mario Bava – a adotasse, como fizeram com Barbara Steele. Ela era muito interessante, e fez muitos filmes na Hammer, além de todos aqueles episódios em séries da TV norte-americana (‘Dr. Kildare’, ‘Rawhide’ etc)..