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Luiz Carlos Merten

30 Junho 2007 | 16h45

Pelamor de Deus, Rodrigo, o dia em que Hatari!, do Hawks, for considerado um filme ruim eu corto meus pulsos. É ótimo! Desde o começo, John Wayne e os amigos emboscados, numa atmosfera de filme de guerra… Acho que, a despeito de sua aparente simplicidade é um dos mais belos e complexos filmes de Hawks. Existe ali uma idéia muito interessante sobre o homem no mundo e os problemas do casal contemporâneo. Wayne, que se chama Sean Mercer, reúne os homens na planície, para o combate, isto é, para a caçada. Elsa Martinelli, ou Dallas, os reúne em casa, em torno do piano. A mulher identifica-se com a natureza – o elefantinho que segue, ao som de Henry Mancini, Elsa/Dallas como se fosse sua mãe. O homem se mede com a natureza, tenta domá-la – os animais vivos que Sean caça. Daí a diferença essencial entre os sexos. É da natureza do homem querer domar a mulher… E Hatari! é um filme, no limite, sobre o cinema. Sem que uma só palavra seja dita, Hawks quer que a gente perceba isso. Um diretor, do mais intuitivo ao mais intelectual, caça imagens como Sean caça animais. A vida captada ao vivo. É divertido, é leve e é um grande filme.

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