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Luiz Carlos Merten

27 Novembro 2006 | 09h57

Não que isso seja importante, mas confesso que sempre tive problemas em encarar a filmografia de George Miller. Nem quando descubri que eram dois os diretores australianos com este nome consegui me situar direito. Há o que criou a série (detesto dizer a franquia) Mad Max e fez filmes como As Bruxas de Eastwick e O Óleo de Lorenzo. E há o outro que fez muitos filmes com animais, incluindo um que acho bem legal – André, Uma Foca em Minha Casa. Era perfeitamente natural que o segundo tivesse feito Babe, o Porquinho Atrapalhado (que adoro), mas foi o primeiro, que agora também assina Happy Feet – O Pingüim. Estava na Grécia, perdi a cabine do filme para a imprensa. Fui ver ontem à noite, no Unibanco Arteplex, numa versão dublada. Gostei e não gostei. A história do pingüim diferente porque sapateia, quando a norma dos pingüins imperadores é que cantem, impressiona pela técnica digitalizada, com aqueles ‘vertiginosos’ movimentos de câmera que a mim, pelo menos, deixaram de boca aberta. Acho que nenhum filme de ‘live action’ me mostrou a paisagem gelada da Antártida daquele jeito. Que coisa! Mano, o herói, dublado por Daniel Oliveira, me pareceu ‘chatinho’, o que coloco assim, entre aspas, porque chato e emocionante não são critérios de avaliação artística – não é, Inácio Araújo? A animação é muito politicamente correta, o formato de musical, com todas aquelas referências a Busby Berkeley (mais que a Minnelli e Stanley Donen), me cansou um pouco. Me pareceu longo. Sou chato para musicais. Gosto muito de alguns (O Pirata, Sinfonia de Paris, Cantando na Chuva, Sete Noivas para Sete Irmãos, Cinderela em Paris, My Fair Lady), mas a maioria me aborrece e eu perco a paciência, com toda aquela cantoria. Sou muito mais pelo western, gênero hollywoodiano que, de resto, também se constrói no plano geral, mas teve a vantagem, sobre o musical, de não necessitar de equipes permanentes nem de ter se desenvolvido somente graças à tecnologia que fez avançaram a cor e a cenografia. No cômputo geral, ‘acho’ que gostei de Happy Feet, mas não foi paixão à primeira vista, como a que tive por O rei Leão, Procurando Nemo e A Era do Gelo 2, que são minhas animações favoritas (entre as recentes). Sabe o quê? Vou ver de novo e, desta vez, vou procurar a versão legendada.