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Luiz Carlos Merten

22 Junho 2008 | 13h28

Estou de volta a São Paulo, na redação do Estado. Vim redigir os filmes na TV e a entrevista que fiz com o compositor argentino José Luis Castiñeira de Dios, que amanhã, no quadro do Cinesul, tem um encontro com David Tygell para discutir uma especialidade de ambos – as trilhas para cinema. Meu dia promete ser corrido. Quero almoçar com minha filha e, depois, às 6, vou ver o Hamlet de Wagner Moura e Aderbal Freire Filho, no Teatro da FAAP. Serão quase quatro horas de peça, o que não vai me deixar muito tempo de fazer outras coisas (e ir ao cinema, por exemplo). Mas estou louco para ver este ‘Hamlet’, um pouco porque já vi ‘trocentas’ adaptações da tragédia do idealismo intelectual de Shakespeare para cinema e nenhuma montagem teatral. Além do Wagner, num papel difícil, tem a Carla Ribas como a rainha (Gertrudes) e este é outro atrativo muito esopecial. Carla era maravilhosa em ‘A Casa de Alice’. Vamos ao ‘Hamlet’, e vocês se sintam estimulados a comentar as diferentes adaptações da peça, desde a de Laurence Olivier nos 40 até a de Kozíntsev com Innokenti Smoktunovski, o melhor Hamlet do cinema, nos 60, a de Tony Richardson com Nicol Williamson nos 70, a de Franco Zeffirelli com Mel Gibson no fim dos 80 e a de Kenneth Branagh nos 90. Pode até ser despeito, ou o quê, mas quando o entrevistei em Cannes, em 1996 – ou 97, por aí -, o Kenneth, estimulado por mim, que amo o Innokenti, foi duro com o Olivier. Terminou confessando que não gosta do Hamlet dele. Quero acrescentar mais uma coisinha, mas o assunto é bem diferente. Fica para o próximo post.