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Luiz Carlos Merten

17 Outubro 2007 | 17h53

Acredito saber duas ou três coisas essenciais sobre o gênero musical. Ele se tornou dominante em Hollywood associado ao desenvolvimento da cor e da cenografia e, como o western, funda-se no plano geral, o que permite uma ponta entre formas bem diferentes de enfocar o cinema. A Metro foi o principal celeiro de musicais, mas custava caro manter atores, dançarinos, coreógrafos, cenógrafos e o escambau. O gênero tornou-se muito caro, o público cansou-se das fantasias cantadas e dançadas nos anos 60 – a década que mudou tudo, embora ela tenha visto musicais emblemáticos como ‘Amor Sublime Amor’, ‘My Fair Lady’ e ‘A Noviça Rebelde’ – e a conseqüência foi… bye-bye music hall. Alguns que vieram depois, mais esparsos, fizeram história, como ‘Cabaret’ e ‘All That Jazz – O Show Deve Continuar’, que eu sei que vocês amam, e ‘Chicago’, que é muito elaborado (e tem números sensacionais). Mas eu confesso que, com exceções – ‘Cantando na Chuva’, ‘Sete Noivas para Sete Irmãos’, ‘Amor a Toda Velocidade’, ‘My Fair Lady’ -, não tenho muita paciência para musicais. Foi assim que aproveitei o fato de ter viajado para ir postergando a ida ao cinema para ver a versão musical do filme cult de John Waters. Gostei muito. A história da gordinha me cativou – e Travolta, como sua mãe, me pareceu um toque de gênio. Como de mim, a esta altura, vocês esperam tudo, tenho de admitir que me emocionei muito com o tema da integração racial – e até chorei na cena da marcha de protesto, que me lembrou ‘Uma História Americana’ (The Long Walk Home), de Richard Pearce, com Whoopi Goldberg e Sissy Spacek, que é um dos grandes filmes anti-racistas (e um dos mais subestimados) da história de Hollywood. Mas o que mais me agradou foi, como direi?, a falta de pretensão. ‘Hairspray’ passou por mim como uma comédia teen iguazl a muitas outras, mas diferente porque cantada e dançada e energética ao extremo. Sempre compartilhei a opinião dos que consideram ‘Cantando na Chuva’ o melhor energizante do cinema. Ninguém que veja o clássico de Stanley Donen com Gene Kelly consegue ficar deprimido. Se ficar, é porque é suicida e não tem volta. Estou prestes a mudar de opinião (exagero, é claro), mas ontem fiquei nas nuvens depois de ver ‘Hairspray’. A participação do próprio John Waters no começo, como o exibicionista, é hilária. Muito legal! Quem é mesmo o diretor?

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