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Cultura » Há 50 anos, ‘O Pagador de Promessas’…

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Luiz Carlos Merten

24 Maio 2012 | 20h42

CANNES – Já estava indo dormir, quando dei uma geral nos comentários e encontrei o do Gildo, lembrando que hoje, para vocês – já estou amanhã aqui na França – se comemora o cinquentenário da Palma de Ouro de ‘O Pagador de Promessas’, a única que o Brasil recebeu e que terminou sendo uma maldição para Anselmo Duarte. No livro autobiográfico da Coleção Aplauso, ele me contou como a Palma pesou em sua vida e carreira, despertando invejas e ódios. A crítica, ao invés de apoiar o diretor, sempre fez pouco caso de sua Palma, dizendo que ele só ganhou porque o júri não conseguia se decidir entre os concorrentes mais fortes daquele ano, que eram ‘O Eclipse’, ‘O Processo de Joana d’Arc’, ‘O Anjo Exterminador’, de autores como Michelangelo Antonioni, Robert Bresson e Luis Buñuel. Revi, não faz muito tempo, ‘O Pagador’ na TV e é um  belo filme, com seu conflito entre a fé simples do povo e a institucionalizada da Igreja – esse tema vem da peça de Dias Gomes – e que tem cenas muito bem realizadas. Depois disso, o Brasil ganhou outros prêmios aqui em Cannes, incluindo o de direção para Glauber Rocha (‘O Dragão da Maldade Contra o Santo Guerreiro’) e a Palma do curta (Meow’, de Sérgio Magalhães). Agora, a Pama, nunca mais. Teremos outra Palma para o Brasil 50 anos depois? Não creio, embora torça por ‘On the Road’ e todo mundo fica me lembrando que Nanni Moretti, presidente do júri, já não premiou Walter Salles em Veneza (no ano de ‘Abril Despedado’) e brigou com Christiasn Mungiu, que era juirado como ele, e isso elimina as chances de ‘Beyond the Hill’, meu grande favorito. Prefiro não acreditar que isso seja verdade. Posso não ter gostado de ‘Habemus Papam’, mas respeito Moretti de outros filmes e creio que isso seria muita mesquinharia de sua parte. Mas, enfim, é a natureza humana. Vamos ver o que nos reserva essa premiação. Num post anterior, havia relatado a reação contrária de ‘Cahiers du Cinéma’ a ‘On the Road’ e a estendi a outros órgãos da imprensa frasncesa. Mas o crítico do ‘Le Monde’ também amou, como eu, o filme. Disse que Walter, ao adaptar um livro considerado infilmável,. atingiu plenamente seu objetivo. Assino embaixo.